conselheiro que não aconselha

conselheiro que não aconselha

Marcelo Rubens Paiva

31 de outubro de 2013 | 12h33

 

Está na cara de que O CONSELHEIRO DO CRIME, de Ridley Scott [BLADE RUNNER], é um filme de “autor”.

A quantidade de frases feitas, elaboradas, verdades universais, metáforas, fábulas, alusões, referências, trocadas em diálogos inteligentes e intermináveis pelos personagens, dão a sensação de: E aí, a história começa depois dessa cena?

Não.

Pois na cena seguinte, de novo uma sucessão de frases bem sacadas, verdades universais, metáforas, fábulas, alusões e referências.

Trocadas por um advogado porta de cadeia, dois escroques ligados ao cartel da Cidade de Juarez e uma vadia de reputação suspeitíssima, que por sinal trai sem frescura toda a gangue.

O CONSELHEIRO DO CRIME na verdade não entendi. Pois os envolvidos aconselham o advogado a NÃO COMETER o crime.

Roteiro do escritor Cormac McCarthy direto pro cinema dá nos nervos [escritor premiado com o National Book Award, o National Book Critics Circle Award e o Pulitzer de 2007].

Baita história, atualíssima. Uma fotografia deslumbrante. Um elenco, então… Mas contada com mais blá-blá-blá do que com ação dramática.

E deixa uma mensagem velha como a escrita: teatro é teatro, livro é livro, cinema é cinema

McCarthy teve livros adaptados pro cinema, como TODOS OS BELOS CAVALOS (1992), que inspirou o filme ESPÍRITO SELVAGEM (2000), de Billy Bob Thornton, e o classudo ONDE OS VELHOS NÃO TÊM VEZ (2005),que os irmãos Coen transformaram em ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ (2007).

Michael Fassbender, Javier Bardem, Brad Pitt, Penélope Cruz e Cameron Diaz estão no elenco que passeia por México, Amsterdam, Londres.

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