comprar pela internet?

comprar pela internet?

Marcelo Rubens Paiva

04 de agosto de 2009 | 12h22

Metade da minha casa foi comprada pela internet.

Geladeira, fogão, TV, computador, periféricos, roupas, cadeira de rodas, um banco tailandês, livros, discos, cacarecos variados. Supermercado? Muitas vezes, faço pela internet. Banco nem se fala.

No entando, vivi enfim um problema que questiona a eficiência do hábito. Hábito adquirido há mais de uma década.

Senta que lá vem história e queixas de um consumidor irado.

Depois de passar dias no RIO, cheguei em casa, em São Paulo, e descobri meu monitor pifado. Meu trabalho ficou em suspense. Minha vida pessoal, idem. Levei-o na manhã seguinte para consertar. A assistência técnica autorizada deu um prazo de DEZ DIAS para fazer o orçamento.

Eu não posso ficar tanto tempo sem um computador, se não, vocês me xingam. Não pensei duas vezes, deixei o monitor lá e decidi comprar outro, mais moderno e maior, e futuramente venderia ou doaria o antigo consertado. Gesto banal e corriqueiro.

Entrei no site do SUMBMARINO, em que sou cadastrado e de quem já comprei até passagens aéreas. Escolhi o modelo, comprei, digitei os dados do meu cartão de crédito. Frete grátis. Desconto à vista. Entrega em 48 horas.

No dia seguinte, o porteiro me avisou da entrega. Puxa, antes do prazo. Eficiência e profissionalismo. Eles querem acabar com o comércio de rua. “Pode subir”, respondi feliz.

Não, o entregador não estava autorizado a subir. Não pelo prédio, mas pela empresa que entrega. Eu tinha que descer e pegar a mercadoria na calçada. Estrilei. Minha mercadoria é para ser entregue no meu endereço, rua tal, número tal, apartamento tal, bloco tal.

Em vão.

Desço, dou uma dura no cara, que disse que tinha muitas entregas- me mostrou a lista-, e que era política da empresa. Se eu tivesse comprado uma TV 70″, teria que descer para receber o produto na calçada? Foi a primeira decepção.

Tudo bem. Trouxe o monitor, instalei e, surpresa, nada, não fucionou. Chamei a ala nerd da família. Nada. Tentamos de tudo, todas as tomadas, outros cabos, outro computador. Nada. Defeito do produto. Entregaram um monitor quebrado. Acontece…

Outra surpresa. Não havia o telefone do SAC do SUMBARINO na nota. Tivemos que ligar para um amigo consultar na net. Liguei. Pedi A TROCA. Ganhei o número de um protocolo. E me ligariam, para me informar da retirada do produto.

Não ligaram. Liguei novamente. Ganhei outro protocolo e me informaram que mandaram um email marcando a retirada. Ora, o que adianta me mandar um email, se estou sem computador. Novamente, tive de emprestrar um computador amigo, um laptop, para ler o email abaixo:

Sr.(a) Marcelo Rubens Paiva,

Recebemos sua solicitação para devolução do item MONITOR LCD 22″ WIDE T220 AZUL SAMSUNG.

Comunicamos que a retirada da mercadoria será feita no mesmo endereço da entrega, até o dia 06/08/2009

Pedimos que o produto seja devolvido na embalagem original acompanhado de todos os acessórios. Dentro da embalagem, deve ser anexada a última via da nota fiscal recebida no ato da entrega. Descreva, no verso, o motivo de sua solicitação de devolução.

No momento da retirada da mercadoria, peça um comprovante ao transportador Correios/SEDEX – ESX. Caso ele não tenha esse protocolo, não entregue a mercadoria e comunique a nossa central de atendimento.

As mercadorias devolvidas são encaminhadas ao nosso Centro de Distribuição para análise da equipe de controle de qualidade. Só depois, encaminhamos um novo produto ao cliente.

Atenciosamente,
Atendimento Submarino.com

Sacou?

Eu ficaria dias sem o meu computador.

Problema meu? Não, problema deles.

Liguei com toda a educação, desfiz a troca e pedi apenas o setor DEVOLUÇÃO. Fui atendido. Perguntaram se eu queria um vale produto. Não, querida, não comprarei mais da sua empresa. Ganhei um terceiro protocolo, estornaram a compra e mandaram um sujeito retirar a mercadoria. Passar bem.

Sujeito que acabou de chegar e diz que não pode subir.

Como saí do banho e estou enrolado numa toalha, não sei se vou assim ou se me visto.

Aproveito, vou a uma loja, está sol, almoço na rua, passeio, compro um monitor novo, outros periféricos, quem sabe uns livros, e testo o aparelho na hora. Simples.

Inté. Compras pela internet? Sei não…

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