Começa Flip

Começa Flip

Marcelo Rubens Paiva

30 de julho de 2014 | 11h32

Hoje começa a FLIP.

Nunca fui. Sabia da dimensão do evento.

Não sabia do agito dos eventos paralelos, da extra-Flip.

Sabia da relevância das mesas principais.

Muitos dos meus autores [vivos] favoritos, Jonathan Franzen, Ian Mcewan, Jeffrey Eugenides, Julian Barnes e até Lilian Ross estiveram por lá.

Mas são diversos eventos paralelos, tenda do Prosa & Verso, do Jornal O Globo, da Folha, Flipinha, almoço com escritores, lançamentos, autógrafos, jantares patrocinados por editoras, leituras…

Pensei que era chegar lá, falar do tema da mesa, curtir o visual e a cachaça de Paraty.

Já vi que não terei 1 minuto de folga.

Me escalaram para muitos eventos. Todos irresistíveis. A nenhum eu disse não.

Dizer não é uma das coisas a que preciso aprender urgentemente.

Muita coisa a ser dita sobre os 50 anos de ditadura: literatura como missão.

Uma repórter uma vez me perguntou se não me canso de falar sobre o tema.

Me canso de falar sobre muitos temas, menos sobre a ditadura. Tanta coisa a ser dita…

Percebi que a maior parte da minha obra é política. Sou um animal político em extinção.

A literatura brasileira anda muito apolítica. 

O desencanto está também à sombra da nossa literatura.

Muitos preferem escrever sobre seus dilemas pessoais.

Mas, escreveu minha mulher, a sensibilização moral depende das práticas sociais.

Jonathan Franzen, Ian Mcewan, Jeffrey Eugenides, Julian Barnes, e incluo Roth, Bolaño e argentinos contemporâneos, como Eduardo Sacheri [La Pregunta de sus Ojos]: são autores políticos, em seus livros há política, denúncia.

Literatura com relevância é literatura com política.

E temos tradição de sobra em ativismo literário: MACHADO, LIMA BARRETO, EUCLIDES DA CUNHA, JOÃO DO RIO,  OSWALD E MARIO DE ANDRADE, ÉRICO VERÍSSIMO, JORGE AMADO, GRACILIANO, filiados ao Partidão.

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Já vi que metade dos meus amigos escritores vai.

Já vi que passarei a noite farreando.

Muitos não sabem, mas escritor é um bicho solitário, inseguro, carente.

Somos muito amigos uns dos outros. Trocamos de tudo, até conselhos amorosos.

Falamos de tudo. Menos de LITERATURA.

E nesses encontros temos a chance de matar as saudades.

Lançarei dois livros, um infantil, 1 DRIBLE, 2 DRIBLES, 3 DRIBLES [Cia das Letrinhas] e o texto romantizado da peça E AÍ, COMEU? [Foz]

 

 

Participarei de uma mesa sexta, no Prosa & Verso, com o filho do Herzog, Ivo Herzog:

“Em nome do pai” na FlipMais com
Mediação de Zuenir Ventura
Local: Casa da Cultura

 

Sábado, 12h, com Pérsio Arida e meu professor da ECA-USP, Bernardo Kucinski, mesa mediada pela amiga Lili Schwarcz.

“Memórias do cárcere: 50 anos do golpe”
Local: Tenda dos Autores

 

Domingo, falarei de um dos meus livros de cabeceira na tenda principal e lerei trechos dele em português [e em inglês]. Não sei se é surpresa ou se posso dizer aqui qual é. Melhor surpreender.

Se der, apareça.

 

 

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Meu amigo XICO SÁ estará lá lançando o livro que todos gostariam de escrever e que li ainda em WORD.

E em que todas gostariam de ser retratadas.

As que foram, listadas pelo “alumbramento” do autor, lerão e relerão envaidecidas.

É livro de flâneur e voyeur, de um descontrolado apaixonado, que confessa o que deve ser dito de joelhos aos princípios ativos da sua loucura: paixão.

Todo homem é um guerrilheiro apaixonado, apesar de elas duvidarem.

Todo homem gostaria de ser meio Xico Sá: “Traz a bombinha, enfermeira, que a asma do amor me castiga.”

Todo homem brasileiro é técnico em futebol e diretor de revista masculina e feminina.

Todo homem tem algo a dizer de todas as mulheres que ama ou nem sabe se ama.

Xico aprendeu com as três irmãs, Truffaut, Benito di Paula, João do Rio, Morávia, João de Minas, Gilberto Freyre, Caetano Veloso, Baudelaire, Balzac, a olhar a mulher com devoção e safadeza.

Pediu licença e bênção ao nosso mulherólogo-mor, Vinicius de Moraes, e a Domingos de Oliveira, para tratar dos femininos do Brasil.

 

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