tudo pode dar certo?

tudo pode dar certo?

Marcelo Rubens Paiva

23 Julho 2010 | 11h51

Brasileiro sofre.

Especialmente quando as regras são criadas em gabinetes fechados, sem a consulta de quem realmente interessa, a parte fraca [fraca?!] das relações comerciais: o consumidor.

Na privatização das telefônicas, criaram o entulho do “código da operadora”.

Durante meses, tínhamos que nos acostumar com o “xis xis”, o código da operadora”.

Pois abriram o mercado, tiraram o monopólio da EMBRATEL, e a decisão por qual operadora usar passou a depender do digitar de cada telefonema do usuário.

021

036

071

014

Lembro-me de reconfigurar meu celular e acrescentar em todos os telefones nele registrado um 036, código da minha operadora.

Em 1 ano, ela se associou ao 021, e tive de reconfigurar tudo de novo.

Num hotel em PALMAS, eu precisava dar um telefonema urgente e não sabia qual a operadora o hotel utilizava. Tentava 021, 036, números randômicos. Nada.

E explicar isso para amigos estrangeiros ou avós?

Em nenhum país do mundo é assim.

Já é automática a escolha da operadora, não é preciso escolher em cada telefonema.

Convivemos com este nonsense criado em gabinete, e a vida continua.

O mesmo ocorreu recentemente com a troca de tomadas.

Todos os aparelhos que o brasileiro tem em casa tornaram-se obsoletos, pela regras criadas por 1 instituto.

E lá fomos nós nos entender com os 3 pinos que só existem no Brasil e, lógico, comprar adaptadores.

E enriquecer alguém.

O último transtorno foi adquirido pelos antigos clientes do UNIBANCO, comprado pelo ITAÚ.

Desde JUNHO, a transição virou uma enxaqueca daquelas.

Mudaram os números de agências e contas.

Novas senhas precisaram ser boladas.

Há 1 mês não consigo mexer nas minhas contas.

Ambas já no vermelho.

E nem com duas visitas à agência reformada, o problema se resolveu.

Pois para tudo eu precisava de um cartão que o ITAÚ não mandou.

Nele, uma misteriosa senha com a qual eu poderia movimentar a minha grana.

Como ele não chega, nada feito.

Pensei que eu era o cara mais azarado da cidade, até encontrar na agência amigos do bairro com o mesmo problema, e com as suas pessoas físicas e jurídicas reféns.

Quem bolou esta transição merece 1 prêmio, o de conseguir paralisar os negócios de milhares de clientes.

Valeu…

 

+++

 

MALU DE BICICLETA ganhou 3 prêmios ontem no encerramento do FESTIVAL DE PAULÍNIA: melhor atriz [FERNANDINHA FREITAS], R$ 30 mil, melhor ator [MARCELO SERRADO], R$ 30 mil, e melhor diretor [FLÁVIO TAMBELLINI], R$ 35 mil.

Demais.

Parabéns.

Merecidíssimos.

E cada 1 me deve um jantar.

Mas um detalhe me chamou a atenção.

Lá vou eu, o neurótico, melar a comemoração.

O prêmio para atriz coadjuvante, melhor figurino, montagem, som, fotografia, R$ 15 mil, é o mesmo que para melhor roteiro [RAFAEL DRAGAUD, de 5 X FAVELA].

Mais interessante, o prêmio de roteiro de melhor curta, R$ 10 mil,

Para um longa, é preciso mais de 100 páginas para se contar uma história.

O roteiro de um curta não tem mais que 10.

E aí, esta proporção é justa?

Nada se começa sem um roteiro, com o qual se gasta anos de trabalho.

É a partir dele que se orça 1 filme, se inscrevem nas leis, capta dinheiro, escala atores, ensaiam, rodam. Merece mais, vai…

Devemos 1 jantar e uma feira pro DRAGAUD!

 

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Campanha para salvar o cine BELAS ARTES, que perdeu o patrocínio do HSBC e pode fechar as portas, ganhou aliados saborosos.

Restaurantes como AMADEUS, ARÁBIA, DONA ONÇA, ICI BISTRÔ, LA CASSEROLA, LA FRONTERA, MARTIN FIERRO, MESTIÇO e outros oferecem ingressos a uma sessão para quem comer lá.

E o cinema oferece uma sobremesa a quem carimbar 1 ingresso e comer nos restaurantes.

Genial!

Vamos nessa, engordar…

Colesterol e cultura nas veias.

 

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