cineminha

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Marcelo Rubens Paiva

15 de março de 2011 | 13h05

127 HORAS, o filme do bracinho, tem um problema estrutural que trava a narrativa.

Ficamos todos aguardando a comentada e, para alguns, indigesta, cena em que o personagem, preso numa fenda no meio do nada por um pedregulho, decide, depois de mais de cem horas, tirar o braço fora e sobreviver.

Mas não bastava apenas o canivete que levou consigo.

Nas 1h30 de filme, sabemos que aquela enrolação toda é para chegar ao teste pelo qual a plateia passará: quem olha, quem fecha os olhos, quem sai da sala, quem vomita, quem ri?

Não passei no teste.

Fechei os olhos.

O mais interessante talvez fosse que o bracinho saísse logo de cena e do cotovelo, e o filme passasse a retratar a reabilitação de um amputado aventureiro, Aron Ralson, que até aparece no filme, e como ele conseguiu continuar seu dom de escalar e pedalar por aí com uma mão apenas.

James Franco é um baita ator.

Parece que ficou 1 ano se preparando para o papel.

O filme é muito bem dirigido por Danny Boyle, que já fez filmaço [Trainspotting] e filminho [A Ilha].

Depois de um filmaço e um filminho, agora uma meia boca.

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TOY STORY 3 segue a saga da PIXEL de fazer filmes em 3 D para adultos e pirralhada.

Divertidíssimo.

Para o tiozão aqui, tem um problema.

Nunca brinquei com aqueles brinquedos, já que nasci num Brasil de economia fechada, e tínhamos em mãos apenas as traquitanas que a ESTRELA e a TROL vendiam, como este de alta tecnologia:

Claro, a China ainda era apenas um país maoista recém-saído da Revolução Cultural, que ninguém sabia exatamente o que era, mas apoiávamos numa onda juvenil rebelde.

Inclusive GODARD. Coisas da época.

Depois só que vimos a barbaridade que foi aquilo.

Não havia por aqui a enxurrada de brinquedos made in China que entram por SC, vão de caminhão até o Paraguai, voltam pela Ponte da Amizade, viajam em porta-malas de buzões de turismo e infestam as barracas de camelô país a dentro.

Nem tinha camelôs em cada esquina.

Nosso repertório de brinquedos era medíocre, perto do das crianças americanas.

O filme falaria muito mais à alma e nostalgia dos adultos de cá, se lá estivessem os brinquedos com que passamos horas do dia durante anos.

Um exemplo. Tive muita dificuldade em me livrar dos meus times de futebol botão e carrinhos matchbox quando cresci. E este é o mote do filme.

Mas me livrei, doando para crianças carentes e espalhando pela sobrinhada.

Que certamente preferiam 1 PLAY STATION.

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THE FIGHTER –  ÚLTIMO ROUND, sim, é o filme que deveria ter ganho mais Oscars do que apenas os de melhor atriz e ator coadjuvantes.

Já tem blogueiro dizendo que entra no time dos melhores filmes de boxe [TOURO INDOMÁVEL, ROCKY].

Mark Mark, que ficou 5 anos a procura de grana para o filme, e Chris Bale [Brad Pitt ia fazer este papel], um viciado em crack, são os irmãos que sustentam uma família só de mulheres [5 irmãs], liderada por uma mãe dominadora, trocando socos a torto e direito, por um cachê baixo.

Até o caçula, Mark, dar um basta e decidir: quem sabe não viro campeão?

O filme tem um roteiro genial, com pitadas de humor e sarcasmo, e é também, baseado numa história real.

Muito melhor do que o filme do reizinho gago.

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Na maciota: sem fumar há mais de 1 mês, é difícil ser equilibrado. Desconsidere tudo escrito acima. Ou me dê 1 cigarro e reescrevo tudo de novo.

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