‘Chernobyl’ pegou

‘Chernobyl’ pegou

Marcelo Rubens Paiva

27 de maio de 2019 | 11h13

A série inglesa da Sky com HBO, Chernobyl, que dramatiza a explosão em 1996 do reator atômico da usina nuclear na Ucrânia, foi lançada sem alarde no Brasil na esteira do bafão do final de Game of Thrones.

No entanto, o boca a boca já faz da série um cult: tem a avaliação do IMDB (9,6) maior que de Breaking Bad (9,5) e da própria GoT (9,4).

No site Rotten Tomatoes chega na incrível marca 96% .

Três episódios dos cinco totais da produção filmada na Lituânia já foram ao ar:

1:25:45, título referente ao horário exato da explosão,

Please Remais Calm, em que autoridades da burocracia da União Soviética abafam a tragédia, apesar dos riscos

Open Wide, O Earth, em que físicos revelam que o acidente é uma catástrofe mundial e começam a solucionar o problema dias depois da tragédia.

Ainda virão The Happines of All Mankind e Vichnaya Pamyat, que serão exibidos aqui pela HBO às 21h dos próximos domingos 2 e 9 de junho.

No Brasil, está uma semana atrasada. Os sites piratas de torrent suprem a curiosidade dos ansiosos.

A dupla de diretor e roteirista Johan Renck e Craig Mazin não poupa o espectador de exibir detalhes terríveis do que a radiação pode fazer ao corpo humano.

Não colocou música na abertura nem no encerramento.

Começa-se em silêncio, com os créditos numa tela preta, como num minuto de silêncio que exige luto e reflexão, e termina do mesmo jeito.

Consegue recriar a atmosfera da União Soviética dos anos 1980, do figurino ao corte de cabelo, passado pelos carros. E passar o terror pelo qual o planeta esteve envolvido.

A premiadíssima Emily Watson faz Ulana, cientista da Bielorrússia que entende a gravidade do acidente.

Jared Haris, o executivo inglês de Mad Men, faz Valery Legasov, o projetista da usina que se vê obrigado a falar ao incrédulo Gorbachev, blindado pelos burocratas do partido, e alarmado pelos líderes mundial, da gravidade da situação.

Spoiler: se não fosse o sacrifício de alguns técnicos da usina, bombeiros, cientistas e mineiros, que sabiam que ia morrer contaminados dias ou meses depois, metade de Europa estaria inabitável hoje em dia.

Muitos explicam o sucesso da série pelo receio do que estamos causando ao planeta.

Outros, pelo descrédito atual dos governantes. O que se tem denominado distopia.

O acidente mudou o mundo. Alemanha desligou suas usinas nucleares.

Países da Europa impõem prazos para a implantação de 100% de energia limpa.

Parques eólicos se espalham.

O mal veio para o bem. Se é que tem volta…

 

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