Chernobyl, da tragédia ao turismo

Chernobyl, da tragédia ao turismo

Marcelo Rubens Paiva

06 de outubro de 2019 | 13h02

Conhece o “turismo de tragédia”?

O que nos atrai no programa Que Mundo é Esse, da Globo News, além da pauta, as entranhas de países de regimes fechados (Coreia do Norte, Irã, Arábia Saudita), é que os repórteres fogem do perfil de jornalista televisivo.

Fogem dos clichês, não estão fazendo matérias comuns, mas conhecendo lugares a que poucos têm acesso.

Não fazem documentário de viagem apenas, nem matérias explorando o sensacional.

Eles têm surpresas e reações como nós, o espectador comum.

Como diz a apresentação da Globo Play, eles têm “um olhar diferente sobre algumas das principais histórias de nosso tempo. Com um estilo questionador, André Fran, Felipe UFO, Michel Coeli e Rodrigo Cebrian se envolvem com grandes temas do mundo atual.”

Na temporada que irá ao ar nas próximas cinco semanas, sobre a Ucrânia, começam por onde?

Chernobyl, claro.

E ao chegarem tomam um susto: a quantidade enorme de turistas que pagaram e se acumulam para entrar na zona proibida, com focos de radiação danosos para a saúde.

Americanos usam capinhas especiais.

O que era uma matéria sobre a região abandonada às pressas, por conta da explosão do reator quatro da usina que proporcionou o maior desastre nuclear entre nós, torna-se um relato do ascendente “turismo de tragédia”, como define um turista brasileiro que já conhecera, antes, Fukushima e Auschwitz.

Gente de todos os países se acumulam no check point, em que se vendem lembrancinhas, roupas protetoras, contador Geiger portátel e até x-burguer.

Tem de tudo no mundo. Deve ter turista a fim de experimentar uma gastronomia radioativa.

De lá, partem em ônibus e vans, com guias, pela região.

Exploram Pripyat, a cidade de 40 mil habitantes abandonada, que ainda guarda objetos radioativos, símbolos da Era Soviética, como uma intacta estátua de Lênin e a roupa dos bombeiros.

Passam pela “Ponte da Morte”, por restaurantes à beira do Pripyat e, claro, chegam a 15 metros da usina, hoje sob um sarcófago de concreto e chumbo.

Em mãos, o contator indicando a radiação.

O episódio sobre Chernoby estreia terça-feira, dia 08/10.

Depois, assunto não falta, na região sempre tensa, disputada por nazistas, comunistas, russos, sempre em guerra, que vive o dilema de pertencer à Comunidade Europeia ou ao “império” russo.

Cujo novo presidente, Volodymyr Zelenski, um ator comediante popular eleito em maio com 73% dos votos, prometeu um cessar-fogo com separatistas pró-Rússia e incrementar o turismo de Chernobyl.

Mórbidos não faltam.

https://g1.globo.com/globonews/que-mundo-e-esse/video/que-mundo-e-esse-viaja-ate-a-ucrania-7958130.ghtml

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