bullying felino

bullying felino

Marcelo Rubens Paiva

19 de maio de 2011 | 19h10

Fábio.

O moleque é adotado.

Parece revoltado.

Já o apelidei de Febem, Frank Sinatra do Capão.

Dançamos rap; que ele adora.

Gene dominante, me falaram que é a raça mais disponível para adoção.

Não tenho ideia de como foi o seu passado.

É bem assustado, tem as unhas afiadas.

E come rápido, antes que o outro passe na sua frente.

Não se assusta com a cadeira de rodas motorizada.

Já o vi dormido em cima da roda.

Atento a tudo. Olhos bem abertos.

O mais incrível: ele enterra o coco do outro.

É um maloqueiro no sangue e na alma.

Veio todo zoado da Giaola 9.

Conjuntivite, vermes, subnutrido.

Temos que enfiar remédio goela abaixo duas vezes por dia.

Aí rola até sangue: ele morde, urra, unha.

Já arrancou um pedaço da minha bochecha.

E o desgraçadinho não o engole.

Até encontrarmos uma técnica que não se aprende nos manuais.

Agora, sim, vai ser curado.

+++

Seu Antônio.

Tonhão.

Não é bravo não.

O chapeiro das nossas noites solitárias.

E faz o melhor pastel da cidade.

Personagens com que só quem dorme tarde convive.

+++

DEUS DA CARNIFICINA!

Tem que ver essa peça aí, no TEATRO VIVO.

Aliás, fala de bullying.

O filho de um casal rico dá uma paulada no de um casal classe média. Os pais decidem discutir a violência civilizadamente.

Só que, como os filhos de 11 anos, acabam reproduzindo um outro tipo de violência, a ironia verbal.

De Yasmina Reza, autora francesa que já tinha sido montada aqui [ART].

Julia Lemmertz e Paulo Betti formam o casal que vai à casa de outro, Deborah Evelyn e Orã Figueiredo, para se desculpar.

Direção de Emílio de Mello.

Daquelas peças que indicamos sem titubear.

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