Brasil na mira do FBI

Brasil na mira do FBI

Marcelo Rubens Paiva

23 de maio de 2019 | 12h12

Nosso caso de amor com ícones americanos vai além de Hollywood e Harvard.

Agora, trocamos dados e informações com o FBI. O da vida real.

Não é série da Netflix, não.

Johnson & Johnson, Siemens, GE e Philips estão sendo investigadas pelo FBI por pagarem propina a autoridades brasileiras da área da saúde.

São mais de 20 empresas acusadas de constituírem um cartel para que seus equipamentos médicos, como aparelhos de ressonância magnética e protética, fossem comprados por clínicas e hospitais.

O cartel fixava os preços para equipamentos e outros produtos.

O golpe já dura duas décadas.

O bureau entrou no caso depois das suspeitas levantadas pela procuradora federal brasileira, Marisa Varotto Ferrari, numa investigação sem precedentes, já que se trata de gigantes americanas e europeias do setor.

Marisa, da força-tarefa do MPF no Rio de Janeiro, formada por procuradores da República nos trabalhos de investigação na primeira instância da Justiça Federal do RJ, confirmou em entrevista a Brad Brooks, da Agência Reuters, que o MP está dividindo informações com o FBI.

A procuradora troca documentos com o Departamento de Justiça americano, de que recebe assistência.

O ex-presidente da GE para América Latina, Daurio Speranzini, foi acusado de fazer parte do cartel, enquanto trabalhava para Philips Healthcare, de onde teria sido demitido por fraude.

Seu advogado nega. Speranzini se declara inocente e deixou a GE em novembro.

Ele chegou a ser preso em 4 de junho de 2018 com outras 20 pessoas na Operação Ressonância, da PF, que investigava fraudes em licitações para o fornecimento ao Estado do RJ de equipamentos médicos e hospitalares.

A Philips e a Johnson & Johnson confirmaram à Reuters a investigação de que as empresas inflacionam os preços e colaboram com as autoridades americanas.

As acusações vieram da delação de Cesar Romero, ex-subsecretário de Saúde do Estado do Rio de Janeiro.

Segundo a testemunha, existia um “clube internacional de subornos”, que incluía outras empresas multinacionais do setor de saúde.

Elas podem ser punidas e multadas graças à lei americana de combate à corrupção, o FCPA (Foreign Corrupt Practices Act), que proíbe desde 1977 empresas e cidadãos americanos ou que tenham sede no país a pagar propina para obter vantagens.

 

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