Bots atacam Greenwald

Bots atacam Greenwald

Marcelo Rubens Paiva

17 de junho de 2019 | 12h58

No começo de maio, o fundador do Twitter, Jack Dorsey, e seu parceiro, Biz Stone, ofereceram um almoço a jornalistas aqui em São Paulo

Eu tinha acabado de postar dados de que mais de 60% dos seguidores de Bolsonaro no Twitter eram falsos, e que uma rede grande de bots trabalhava em prol dele e dos filhos. Mostrei para Dorsey:

https://cultura.estadao.com.br/blogs/marcelo-rubens-paiva/numeros-dos-falsos-seguidores-de-jairbolsonaro/

Ele não conhecia os sites citados que fazem auditoria em sua rede social, achou o tema gravíssimo e ficou de averiguar.

Não se falou mais nisso.

Como não averiguou, a rede de bots agora ataca o jornalista Glenn Grenwwald.

Neste domingo (16), o perfil anônimo Pavão Misterioso publicou uma série de acusações contra o jornalista editor do The Intercept, que publica reportagens com o vazamento das mensagens trocadas entre o ex-juiz Sérgio Moro e procuradores da Lava Jato.

“Como funciona um ataque maciço de robôs no Twitter em busca do 1º lugar nos TT’s. Observe por alguns segundos quem alimenta a tag ‘Show do Pavão’ – que veio da conta @oppvaomisterio criada ontem (15) e já deletada”, apontou o jornalista Ivan Freitas (@Ivan), que monitorou a subida da hashtag ShowdoPavão que atacava Greenwald.

Então, surge o nome de Carlos Bolsonaro.

O filho do presidente Jair Bolsonaro, o vereador mais importante da República, já falava em “pavão” há mais de uma semana e orientava Filipe G. Martins, assessor especial da Presidência: “Já sabe o que fazer com as penas do pavão!”.

Apareceram as fakes news contra Greenwald, que envolviam transações em “rublos”.

Outro especialista, Fábio Maline, postou: “Ao @ggreenwald, envio cópia dos operadores da hashtag bizarra. boa noite.  PS: a hashtag não possui polarização, dissenso, nada. Revela-se com uma estrutura de núcleo único, bem típico de estrutura baseada em propaganda computacional. Beijos a todos, em russo.”

Greenwald afirmou que “qualquer um com uma racionalidade mínima ou tempo para pensar sobre isso imediatamente reconhece a estupidez desequilibrada”, e que “o objetivo é espalhar isso o suficiente para que as pessoas tenham suspeitas”.

E ironiza ao apontar os erros banais dos documentos bancários falsificados: É “rubles”, não “rublos”, “tranferred”, não “tranfered”.

Outro erro infantil. Ao citar um valor em dólar, usa ponto para designar milhar, e vírgula para designar centavos, como na métrica brasileira. Em inglês, todos sabem, é o contrário.

“Devo acrescentar que não acho que o @MBLivre esteja envolvido nessa fraude. Uma pessoa chave do grupo ajudou a espalhá-lo, mas ele já o apagou. Isso foi divulgado pelo PSL, @TercaLivre, os disseminadores usuais bolsonaristas do Fake News e fraudes”, postou Greenwald.

A caso interessar… Difamação é crime.

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