Bolsonaro e as masturbadoras

Bolsonaro e as masturbadoras

Marcelo Rubens Paiva

17 de fevereiro de 2019 | 13h00

 

Uma foto causou repercussão.

Depois da alta, o presidente Bolsonaro posou com parte da sua equipe.

Muito se comentou sobre o figurino despojado do ex-paciente do Einstein.

Mas alguém reparou com atenção na espetacular obra atrás?

Não é um Portinari, pintor de grandes murais, como Guerra e Paz, da sede da ONU, em Nova York, para onde não pode ir na inauguração em 1954 por ser declaradamente comunista. Ufa. É Di Cavalcanti.

Mas Di também foi do Partido Comunista. Chegou até a ser preso na Era Vargas. Não se salva um?

Cercadas por músicos, são duas mulheres se tocando.

Nitidamente se masturbando.

A música as entorpece.

Ou estão num mesmo ambiente?

Podem até estar concomitantes numa cena de… lesbianismo.

Os acervos dos palácios do Planalto e do Alvorada juntam mais de 300 obras. Entre eles, Brecheret e essa obra rara de Di Cavalcanti, por ser com poucas cores, de realismo mágico, em homenagem às curvas de Brasília e ao chorinho.

No Salão Nobre do Palácio do Planalto, tem duas pinturas de Portinari série Cenas Brasileiras: Jangadas do Nordeste Os Seringueiros, cedidas pelo Banco Central. Há duas pinturas também no Alvorada.

Logo aparecerá uma(um) doida(o) exigindo arte sem partido e moralmente tradicional-familiar nos palácios de Brasília.

Tarefa quase impossível.