Blade Runner + SP = Lollapalooza

Blade Runner + SP = Lollapalooza

Marcelo Rubens Paiva

31 de março de 2013 | 12h13

 

São Paulo está cada vez mais parecida com a cidade de Blade Runner.

O filme de Ridley Scott se passa em novembro de 2019 em Los Angeles, mas poderia ser refilmado hoje aqui.

 

 

Scott se inspirou de Metrópolis, de Fritz Land, para produzir a mega cidade esfumaçada, de lama e chuva, cujos prédios são forrados por telas LED, e credita o cenário a Moebius, Edward Hopper, a revista francesa Métal Hurlant e Syd Mead, que bolou os carros-voadores, filmado em 1981.

Na pista do LOLLAPALOOZA, lama, areia, grama, cheiro de coco de cavalo, se vê os prédios que margeiam a Marginal, as torres que se erguem, a pirâmide do Shopping Eldorado, aviões passando rente, telas de alta definição. Chuva, sol, frio, nuvens, congestionamento, gente, muita gente.

Blade Runner – SP.

 

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A maior estrela do festival que rola aqui no JOCKEY CLUB, com cinco palcos, e junta 40 mil pessoas por tarde-noite, além, da organização: o casting.

Os organizadores, a GEO, empresa da Globo, conseguem trazer o que há de melhor, relevante e contemporâneo.

O vocalista do The Killers riu à toa quando descobriu que aquela multidão cantava com ele as músicas.

A dupla Black Keys que está na estrada há tempos, acaba de conquistar prêmios e notoriedade, e todos já cantam suas músicas de cor.

Por vezes, dois tremendos shows rolam na mesma hora, como Franz Ferdinand e Alabama Shakes.

O que tem de melhor no novo e velho rock veio, Two Doors, Queen of Stone Ages, Kaiser Chiefs, Ther Hives, Hot Chips, fechando com Pearl Jam!

Enquanto isso, no Rock in Rio…

Melhor nem falar.

 

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Quando eu digo que hoje em dia ser cadeirante é mais vantajoso que VIP, poucos acreditam.

Olha o local designado aos PNE [Portadores com Necessidades Especiais], que inclui grávidas, crianças de colo, lesionados temporários.

Na frente dos dois palcos, Butantã e Cidade Jardim. Com banheiros exclusivos.

 

 

Enquanto os artistas se embebedam e comem de graça na lateral, mas ficam bem mais longe, sem a vibração do público, cercados por paparazzi e mal conseguem ver o Butantã, olha o nosso spot. Conosco a criançada também se diverte.

Nessas horas, não compensa ter necessidades especiais?

Só não pode chover. Aí todos invejam os VIPs.

 

 

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