Beleza da feiúra

Beleza da feiúra

Marcelo Rubens Paiva

02 de setembro de 2009 | 13h47

Outro dia, meu amigo BRUNO MAZZEO postou no FACEBOOK que finalmente tirariam o polêmico monumento em Ipanema, construído no projeto RIO-CIDADE, que enfeia o bairro- um obelisco sem sentido, bem no meio da Rua Visc. de Pirajá.

Recebeu mensagens de apoio dos seus amigos. No entanto, tive de escrever: “Eu gosto daquele monumento. Mas sou paulista. Paulista gosta de coisa feia.”

Claro que é um exagero. Talvez estejamos tão poluídos por monstruosidades arquitetônicas, que uma a mais não incomoda.

Enquanto os cariocas sabem diferenciar o belo do feio, baseado no que há em volta, paulistano olha mais para dentro, já que a cidade quase não tem vista, parques, montanhas a serem apreciadas.

A operação CIDADE LIMPA foi um sucesso eleitoral e recebeu amplo apoio. Tiraram os cartazes, outdoors, e o que se revelou? Muitas fachadas cinzas e de mau gosto [calma, ala de direita desse blog, eu apoiei a operação].

Mas me mandaram algumas fotos do metrô de ESTOCOLMO, que consegue aliar [agregar é a palavra mais em moda] a estrutura geológica com luzes, tornando dispensável a decoração padrão.

Confesso que bati palmas. Como usuário de metrô de São Paulo, me irritam aquelas pastilhas coloridas [ainda se fala azulejo?]. Particularmente, na Estação Vila Madalena, a que mais uso, são amarelas. É preciso usar óculos escuros para ficar na plataforma.

Qual foi o arquiteto mané que bolou aquilo?

Algumas estações são até bonitas, como a da Av.Sumaré. Mas a maioria não respeita os olhos do contribuinte.

Para evitar as radiações na retina, costumo olhar o túnel, com rochas à mostra, água escorrendo, cheiro de terra, mofo, uma viagem ao centro da Terra. A natureza bruta é tão mais bonita que nossas interferência [já provou o arquiteto Frank Lloyd Wright]. Quer uma prova?

Pois olha o que fizeram em Estocolmo:

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