Bacurau resiste a ataque fascista

Bacurau resiste a ataque fascista

Marcelo Rubens Paiva

21 de agosto de 2019 | 11h06

Uma cidade do oeste de Pernambuco, Bacurau, une-se para se defender de invasores fanáticos por armas, que descobrem tarde demais que mexeram com as pessoas erradas, herdeiras do cangaço.

São americanos comuns liderados por um alemão acusado de nazista, que parecem participar de um reality show. Ganha pontos quem mais mata.

Glauber também premiado em Cannes) é uma indisfarçável inspiração. Veem-se pitadas de faroeste e Tarantino. Ouvi gente na saída se lembrar de Pasolini. Até Asterix é uma referência, herói da aldeia que combate a invasão externa movido pelo poder de uma poção mágica.

A água, claro, está em disputa. Assim como o voto e a terra.

Kleber Mendonça Filho, o maior cineasta brasileiro, faz um cinema político mais que fundamental nos dias de hoje.

Em parceria com Juliano Dornelles, foram proféticos: o Nordeste está mais que nunca sob ataque.

Um ataque que pontua a nossa República fragmentada e frágil.

Uma horda fanática se arma até com objetos de coleção, como a icônica submetralhadora Thompson, usada por gângsters, para combater os aparentemente mais fracos.

“As pessoas estavam quietas no seu canto, quando foram atacadas. Elas apenas se defenderam. Vejo como um filme sobre resistência”, disse Dornelles num debate no Cinearte.

Para Mendonça, a virada sombria do clima do mundo demonstra que o filme não está tão longe da realidade.

De fato.

No mundo, assistimos a uma elevação da extrema-direita. Na Turquia, Hungria, Inglaterra e Estados Unidos, está no poder. Na Itália, a Liga enfim chega lá. Na Alemanha, faz parte da coligação. Na França, é sempre ameaça.

No Brasil…

 

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