as perdas de Norma

as perdas de Norma

Marcelo Rubens Paiva

08 Abril 2011 | 10h33

Ela conheceu Visconti, Fellini, Bolognini, Monicelli, Pasolini, com quem saía para dançar em Roma.

Foi vizinha de Brigitte Bardot, Rod Steiger, Cyd Charisse.

Namorou Alain Delon, depois que ele insistiu.

Foi a atriz do primeiro nu frontal brasileiro.

Foi atriz do único longa brasileiro ganhador de Cannes, O PAGADOR DE PROMESSAS.

Militou contra a ditadura.

Na famosa passeata dos 100 mil, em 1968, lá está ela puxando a manifestação de mãos dadas com Eva Wilma, Odete Lara e Ruth Escobar.

Foi sequestrada em São Paulo por um comando paramilitar e passou dias na Oban, onde foi torturada.

Era voz presente nos movimentos mais importantes da luta pela redemocratização.

Nos últimos tempos, nada deu certo para ela.

Se envolveu num litígio contábil com o Governo Brasileiro por causa das contas do filme O GUARANI (1996) que produziu e dirigiu.

Espalhou-se que parte do orçamento do filme virou uma cobertura na Lagoa, RJ.

Junto com GUILHERME FONTES, é um dos casos emblemático de como o Estado deve controlar ao máximo o dinheiro de leis de incentivo.

Perdeu a companheira.

Perdeu a capacidade de decorar um texto teatral em 2007, diante do público do CCBB-SP.

A peça O Relato Íntimo de Madame Shakespeare ia marcar a volta sua volta ao teatro, ao lado da atriz Maria Manoela.

Mas longe dos palcos desde 1984 não conseguiu decorar todo o texto da peça dirigida por Emílio Di Biasi, e teve de ser substituída por Selma Egrei.

Pelo blog de LUIS NASIF, descobrimos que as perdas de NORMA não pararam por aí.

André Miranda descreve sua rotina:

Norma Bengell passa o dia num canto, sentada numa poltrona, vendo TV. Ao alcance da mão, uma garrafa d’água e dois maços de cigarro. Quando precisa se levantar, aperta uma campainha e chama a acompanhante, Vilma Gomes, que trabalha para ela há duas décadas. Para virar o corpo para a foto, ela tem dificuldades; para mudar o braço de posição, também.

Aos 75 anos, sem filhos e viúva, ela passa semanas sem sair de casa. Não tem dinheiro para o plano de saúde, o aluguel da cadeira de rodas, o fisioterapeuta, nem como saldar as dívidas acumuladas. Mas quer voltar a filmar.

Teve suas contas bancárias e bens bloqueados depois da polêmica envolvendo o filme O Guarani. Na época, o Ministério da Cultura e o Tribunal de Contas da União encontraram irregularidades nas notas de prestação de contas do longa. Norma recebeu críticas de todos os lados. E processos. Os criminais foram arquivados. Outros dois – tributários – aguardam decisão.”

Além dos bens bloqueados, ela está impedida de assinar projetos como produtora.

Amigos querem levá-la para o Retiro dos Artistas, em Jacarepaguá.

“Não vou. Não quero sair daqui. Moro nesta casa há quase dez anos”, disse

Respeito e dignidade, é o que ela pede.

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Hoje estamos no FESTIVAL DE TEATRO CURITIBA com a peça de PRISCILA NICOLIELO, que dirigi: LÁ FORA, ALGUM PÁSSARO DÁ BOM DIA.

Passa hoje, sábado e domingo no TEATRO HSBC.

Veja os horários:

http://www.festivaldecuritiba.com.br/espetaculos/view/590

Com Gabriela Rosas.

É minha primeira vez no festival, depois de alguns convites que não batiam com a agenda.

Finalmente vou conhecer este que se tornou o festival de teatro + importante do País.

A peça, um monólogo, ficou em cartaz no SATYROS 1 em São Paulo por 2 meses.

Talvez agora a gente comece a viajar com ele por aí.

Saluto!