as minhas questões

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Marcelo Rubens Paiva

20 de agosto de 2011 | 13h04

 

 

Há muitas coisas que um homem não entende.

O salto alto é uma delas.

Por quem foi criado?

Pelo grande Rei Sol, Luis XIV, que queria parecer mais alto?

Serve para o quê?

Para parecer mais alto e soberano.

Quando começou o exercício da etiqueta.

Mas e nas mulheres?

Como elas  conseguem andar equilibradas sobre a pequena plataforma que, quanto mais fina e alta, mais glamour se obtém.

Aliás, é uma competição do gênero, um desafio, uma gincana?

E como fica a lombar?

Como caminhar sobre pedras portuguesas e não detonar o tornozelo?

Como passar o dia com os tendões do calcanhar equilibrando uma estrutura óssea que quer a retidão?

Exige exercícios, treinamento, alongamento, fisio, aquecimento?

Foi a ida ao banco no Leblon na hora do almoço que me veio a luz.

Dezenas de bancárias, para lá e cá, sobre saltos altíssimos.

São obrigadas, me perguntei.

Então que façam uma greve, um protesto, sob orientações do forte Sindicato dos Bancários, para eliminar este item de trabalho.

Como se consegue trabalhar sobre duas pequenas pernas de pau?

A vida é um circo.

Mas pensei que muitas delas querem isso, trabalhar alongadas, embundadas, empinadas, para a disputa pelo prêmio da femme fatale da firma.

Na rua, o vaivém provava que não são só as bancárias que são humilhadas por protocolos estabelecidos pela gerência de machões alfa que querem ver suas funcionárias num padrão de conduta social aceitável.

Vi sandálias, botinhas, rasteiras tão OK.

Mas algumas mulheres gostam de salto alto.

Acham chique, dá ares de mulherão.

É um fetiche de ascensão social.

Que desconsidera a conta do ortopedista.

 

http://www.youtube.com/watch?v=3TGmye4-TyA&feature=player_embedded#!

 

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