as baleias deprê

as baleias deprê

Marcelo Rubens Paiva

10 de fevereiro de 2011 | 12h23

Zidane declarou que “falta de estabilidade emocional é o ponto fraco do Brasil”.

Materazzi que o diga.

Disse depois que o Brasil perdeu para a França ontem, com um jogador a menos.

Hernandes foi expulso ainda no primeiro tempo, depois de dar uma voadora insana num adversário.

Apesar de amistoso, os nervos continuam à flor da pele.

Futebol brasileiro não é mais o mesmo.

Nem a seleção mobiliza como no passado.

Talvez porque vemos rostos nunca antes vistos.

Moleques que saíram cedo para faturar milhões.

Sem paixão e identificação com o torcedor.

Milionários nervosinhos e mimados.

Zidane disse mais:

Para vencer a seleção canarinho basta provocá-la:  “É preciso irritar os brasileiros.”

E sabe o que diz:  nunca perdeu para o Brasil.

Esperamos que o futebol histérico não substitua o futebol arte.

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Frase que peguei zapiando a TV da novela sensação do verão, VALE TUDO.

Reunião de pauta de uma revista xis de moda.

Me parece que LIDIA BRONDI, de franja, é a editora.

Então, o repórter vivido por MARCOS PALMEIRA diz: “Só faço matérias de moda se puder dar um viés de sociologia.”

Comecei a rir sozinho.

Tão anos 80…

Nos preocupávamos com aquilo na época, entender o mundo e a rotina sob viés do pensamento acadêmico. Era o começo da sociologia urbana [Michael Mafesolli e os “novos filósofos franceses”], alinhavam-se teorias para explicar os fenômenos de mídia, da rotina e até da futilidade humana.

Certamente alguém escreveu uma tese sobre a importância da BLITZ e da batata frita no contexto da nova realidade pós-ditadura da juventude brasileira.

Bem, o resto você já sabe.

Caiu o Muro de Berlim, as utopias se desintegraram, e o mercado comanda os rumos da humanidade.

E quem está interessado em ver São Paulo Fashion Week através das lentes da sociologia?

O mundo ficou mais fútil.

E, assim, mais simples de entender.

Será?

Aguardamos as decisões da Irmandade Muçulmana.

Para saber se a chapa esquenta de vez, sobre as areias do SINAI.

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Interessante como em novelas não há esquemas de segurança nos prédios, porteiros, interfones, câmeras, vigias, grades eletrificadas…

Nem nas portas das residências instalam  olho mágico.

Cidadão está em casa nas suas atividades diárias, toca a campainha e ele abre. Ooooó.

Lá está uma visita que mudará o rumo de muitas vidas, ou melhor, da trama, com revelações surpreendentes.

Como “eu sou o seu pai verdadeiro” ou “tenho uma carta do assassino” ou “somos irmãos, não podemos mais nos beijar”…

A câmera é HDTV, de alta tecnologia.

Já a trama…

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66 baleias sobreviveram depois de encalhar.

14 morreram.

Ao todo, 86 baleias encalharam na Nova Zelândia.

Todas de uma vez.

É a espécie mais desorientada que existe, apesar dos sonares que tem na fuça, ou a mais deprê, para cometer suicídio coletivo?

Nem adianta jogar Prozac no mar.

Tem aí a ação do homem.

Dizem que perfuradores de petróleo e até hélices de navios deixam as baleias doidonas.

Preparem-se para o massacre do pré-sal.

E tropeçarem nelas se bronzeando nas areias do Guarujá.

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Sayad, presidente da Fundação Padre Anchieta, afastou mais de 150 profissionais da TV Cultura, para reduzir custos.

Pragmático, ele fez as contas: a TV produz apenas 6 horas de programação própria diária. O sindicato agora estima que a Cultura tenha em torno de 900 funcionários.

Ôpa, é divisível por 6.

São em média 150 profissionais para cada hora de programação própria.

É.

O negócio é abaixar a cabeça e repensar na reestruturação da emissora.

Tem gente sobrando…

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MALU DE BICICLETA está nos cinemas.

Saiu nos jornais e revistas, foi capa de alguns deles, só crítica boa, teve anúncio na Globo, inclusive no JN, e tem gente até da família me perguntando quando estreia o filme.

Caspita!!! Estreou há uma semana!!!

Venha paciência…

Já que o cigarro larguei.

Toma aí.

Do site PIPOCA MODERNA:

http://pipocamoderna.mtv.uol.com.br

Copiado na íntegra…

Malu de Bicicleta é romance de fácil identificação

Em entrevista à Playboy na época do lançamento de seu livro “Malu de Bicicleta”, Marcelo Rubens Paiva comentou que, depois de atingir a marca dos 40 anos – idade em que, segundo ele, os autores celebrados conceberam suas obras mais superlativas -, sentia-se preparado para adentrar numa fase de fortalecimento criativo. “Malu” serviria como o pontapé inicial.

Transformado em filme pelo cineasta Flávio Ramos Tambellini (“Bufo & Spallanzani”), “Malu de Bicicleta” funciona a priori como um veículo para seus atores, Marcelo Serrado e Fernanda de Freitas. Ambos podem não ter grandes oportunidades na televisão (ela tem o agravante de ser parecida com Deborah Secco), mas exercitaram o talento no teatro por tempo suficiente e agora, munidos de bons personagens no cinema, têm a chance ideal de brilhar.

Ele, um paulista de férias no Rio, é atropelado por Malu, uma carioca desinibida que pedala diariamente pelo Calçadão. O encontro acidental se transforma em conversa, em chamegos e finalmente em sexo. A assimilação de que os dois necessitam da presença um do outro e a eventual mudança da moça para São Paulo para ficar junto dele vêm em ritmo acelerado. Mas, para Luiz, que nunca cultivara sequer um namoro, passar direto ao casamento sem uma experiência intermediária não será tarefa fácil.

Seu amor por Malu é incondicional e indiscutível, mas vem atrelado a um turbilhão de sentimentos conflitantes que ele desconhece. Como nunca estivera num relacionamento, não desenvolvera um filtro interior para admoestar o ciúme e a possessividade. Logo, suas suspeitas e paranoias levarão o casal a um ponto crítico.

O amadurecimento do protagonista não é estranho a Rubens Paiva: seu livro mais famoso, “Feliz Ano Velho”, era uma reflexão bem humorada sobre as sequelas irremediáveis de sua adolescência inconsequente, sendo a mais grave delas o acidente que o deixou paraplégico. Essa fatalidade, ao invés de destruí-lo, ajudou-o a se construir.

Para Luiz, o processo de humanização também virá às duras penas: ele é uma cria dos centros urbanos, aonde os adultos crescem a passos de cágado, demoram a perder os hábitos juvenis e chegam aos 40 com a mesma mentalidade dos 20. Recuperar o tempo perdido é difícil e doloroso, mas, a custo de alguns sacrifícios pessoais, perfeitamente possível.

A situação não é inédita, embora seja tão familiar e ambientada num cenário tão próximo do público – em especial, aos que vivem se deslocando pelo eixo Rio-SP – que acaba por conquistar. Afinal, quem nunca se afligiu pelas mesmas angústias? Quem jamais renunciou a aspectos de si mesmo em pró de uma relação?

O filme, num entendimento glorioso da essência do autor, é daqueles que merece ser visto e, em seguida, vivido.

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Malu de Bicicleta

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