Aqui é Corinthians! – Fé Alvinegra

Aqui é Corinthians! – Fé Alvinegra

Marcelo Rubens Paiva

03 Dezembro 2017 | 17h20


 

Se todos diziam ser impossível, a gente sabia, a gente avisava: “É nada, aqui é Corinthians”.

Não existe o impraticável, existe o Corinthians.

E a fé que empurra, fé que dá forças, fé que defende, fé que exige “sai, zica!”, fé que faz cantar o jogo todo, torcer sem parar, fé que acredita no difícil, que tem fé no improvável, que acredita no desacreditado, que manda a bola pro gol.

Corinthians não é apenas um time, é uma torcida, é uma Nação. Começou assim. E assim sempre será.

Corinthians não é a quarta, terceira, segunda força, é uma nacionalidade, um espírito, um jeito de ser, uma alma alvinegra que pulsa num coração sofredor.

Ser corintiano é eterno, infinito, horizontal e vertical, plano e redondo, ser corintiano é ser completo. Ser corintiano é a minha identidade, é o que me define: “Aqui é Corinthians!”

É minha família, meu planeta, meu país, um adjetivo.

Ser corintiano é ser reconhecido com um “Vai Corinthians!”, é encontrar aliados, gritar na rua para um amigo “Aqui é Corinthians!”, é ouvir te chamarem “E aí, Corinthians?”, é se despedir com o slogan “Vai Corinthians!”.

Corinthians não tem torcedores, tem seguidores.

É uma Nação e uma religião, uma ética, uma fé.

Tem corintiano em toda parte, no lugar mais inusitado, do outro lado do mundo.

É o time do povo. É de sofredor. Sou corintiano, graças a Deus.

Corintiano não viaja para torcer, invade, torce o jogo todo, incentiva sem parar, prometendo: “Eu nunca vou te abandonar!” Corintiano não para, não para, não para. Vibra. Abençoa. Vira apóstolo. A fé não apenas nos move, nos faz invadir.

São Jorge me ensinou, a nunca desistir, a lutar até o fim. Que Deus me perdoe, minha fé tem mais outro dono. E se deixarem, no meu casamento toca o hino do Corinthians.

E quando perco as esperanças, alguém me grita “Vai Corinthians!”, e volto a acreditar no sonho mais irrealizável.

Se me desafiam, consigo o que quero, grito batendo na veia: “Aqui é Corinthians!” Quando um místico dá um passe, um padre reza, um cantor termina seu solo, e o silencio se faz, é quando me seguro para não gritar: “Vai Corinthians!”

Se foram seis dias da Criação, veio a luz, o verbo e o homem, pode contar, Deus não descansou no sétimo, criou o Corinthians: a paixão completa, a devoção inexplicável, a fé absoluta, a idolatria divina, o amor supremo.

Dizem que o Corinthians não é um time que tem uma torcida, é uma torcida que tem um time.

O time existe e vive para a sua torcida, para fazê-la feliz.

Ser corintiano é ser preto e ser branco, ser preto no branco, branco no preto, ser tudo ao mesmo tempo, é vibrar com o gol e com o chutão, não faz questão de seu time jogar bonito, e ainda se orgulha do sofrimento que ele te traz.

Ser Corinthians é fazer de onde o Corinthians joga a sua casa. Onde tiver uma arquibancada, a gente lota vestindo preto e branco. Seja no nobre bairro do Pacaembu, seja no meio do povão de Itaquera. É pegar a Dutra como se fosse a Radial, é fazer de Tóquio uma grande favela.

Ser Corinthians é um movimento social, é unir na arquibancada o doutor e o empregado, é sair do estádio e ir lutar por democracia no Anhangabaú, é mostrar e brigar para que o futebol seja para sempre do povo.

Não sei quando me tornei corintiano, não sei se nasci corintiano, ou se o Corinthians nasceu em mim.

Antes de ser corintiano eu não existia.

 

Foto do embarque ao time ao Japão e da invasão corintiana ao Maracanã, Rio em 1976, acima. Texto estrito para a revista de comemoração ao título de 2017 Fé Alvinegra, criada pela Wieden+Kennedy São Paulo para Nike.