Anti-conservadorismo entra na campanha

Anti-conservadorismo entra na campanha

Marcelo Rubens Paiva

30 Setembro 2018 | 12h36

Antipetismo versus anti-conservadorismo?

A tese de que o cenário seria decidido pelo antipetismo ganhou outro front.

O que se viu pelas ruas do Brasil e nas redes sociais revela um movimento de conquistas de que não se quer abrir mão.

O discurso de Bolsonaro e seguidores contra as minorias, as falas homofóbicas, o desprezo pelas conquistas femininas, especialmente a da equiparação salarial, a pregação da violência como solução para a violência, enfim encontraram resistência entre jovens, mulheres, gays, democratas, ativistas ou não, que conquistaram direitos depois de décadas de luta.

Não se pode voltar atrás, é como pode ser traduzido.

A onda conservadora que impulsiona a campanha de Bolsonaro encontrou um quebra-mar.

#EleNao não se refere apenas à recusa a um homem, um candidato, um número da urna, mas às suas ideias.

O brasileiro quer o amor ou o ódio, a tolerância ou o contrário, o respeito ao contraditório e ao lugar de fala ou a predominância do projeto de uma suposta maioria?

Quer reconhecer a derrota ou duvidar do resultado das urnas eletrônicas e tumultuar as eleições?

A questão de gênero já é realidade nas escolas, não se pode voltar atrás; em muitas delas, o aluno quem escolhe o “nome social”, e se um professor questiona, é acusado de “hétero normativo”.

Paradas de orgulho GLBT mobilizam milhões no país. Querem respeito, ser reconhecidos, direitos e, principalmente, não serem perseguidos.

Não se questiona o politicamente correto, ele já está entre nós, faz parte da rotina; e blocos de carnaval continuarão a não cantar músicas de cunho racista, assim como a FIFA e UEFA continuarão a punir times de torcidas com cantos homofóbicos ou racistas.

O projeto de uma escola participativa já é realidade, adianta melhorar o ensino militarizando-a?

O brasileiro quer a democracia, não esta. Aceita e até defende uma reforma. Mas só uma minoria deseja a volta de tempos autoritários.

Quer uma imprensa livre. E também um país sem corrupção.

Quer preservar as florestas, as reservas indígenas, cotas no emprego e nas faculdades.

A guerra contra as drogas foi derrotada. Nos inspiremos na experiência de outros países, na liberação dela, como em muitos países, o plantio regulado para uso próprio, ou continuemos com o combate com o Exército contra o tráfico?

Muito antipetista esteve nas ruas ontem, de lilás, defendendo #EleNunca. Depois do primeiro turno, a gente vê o que faz, diziam.

Eleitores de Ciro, Alckmin, Marina, Meirelles ainda espera a auto-crítica petista, que nunca aparece (não virão anunciar o erro que foi o Petrolão, acelerar a economia depois da crise de 2008, ou apoiar o regime da Venezuela?!).

Nunca associarão os erros de Dilma com o crescimento do descrédito na política?

Mas se uniram ontem a eleitores petistas e da esquerda nos protestos.

#EleJamais, concordavam.

Projetos derrotados pela mobilização da história não têm volta.

Derrotar o fascismo custou a vida de milhões.

Tortura nunca mais.