anderson silva e a macumba yankee

anderson silva e a macumba yankee

Marcelo Rubens Paiva

29 de dezembro de 2013 | 13h28

 

Nossos orixás emigraram?

Onde estavam vocês ontem?

Quem deu visto de entrada para os Estados Unido para eles?

Só pode ter sido macumba. Dos yankees.

Foi uma semana de trabalho intenso nos terreiros de Nova York, terra de Chris Weidman.

Um ebó forte baixou ontem no MGM Cassino, em que até Ronaldo Fenômeno foi ver a revanche da década.

Entre Brasil x USA.

Ou Anderson, negro, do terceiro mundo, que passou por inúmeras adversidades na vida, que costuma entrar no ringue numa camisa do curintia, e Wideman, branco, nato da Big Apple, psicólogo, que passou por algumas adversidades na vida e costuma entrar no ringue enrolado na bandeira americana.

A noite andava esquisita.

Um brasileiro ia perdendo atrás de outro. De americanos.

“U-S-A!”, urrava 50% da plateia.

“Uh, vai morre-ê!”, respondia a brazucada, que visitava o terceiro local turístico de brasileiros na América, LAS VEGAS.

No card principal, uma zebra nos pesos pesados: Travis Browne nocauteia Josh Barnett no 1º round. E ainda anuncia que é a chegada da nova geração no UFC.

Em seguida, a enfezada Ronda Rousey [era tão charmosa no passado; a mina não sorriu nem quando ganhou o cheque de mais de 300 mil dólares; tretas na semanas que antecederam a luta nocautearam o seu humor], que encerrou todas as lutas no primeiro round, demorou três para ganhar da sua freguesa, Rapunzel de belas tranças, Miesha Tate.

E foi vaiada, por não cumprimentar a compatriota.

Vaiaram a vencedora. Que estranho…

Então veio a luta em que o brasileiro era favorito absoluto.

Seria a prova de que o nocaute da anterior [no meio do ano] fora obra do acaso.

Seria a prova de que Weidman não luta nada, que o brasileiro, sim, é o maior lutador de todos os tempos.

Seria a prova de que não se brinca com fogo.

Seria a prova de que os mais jovens têm que ralar muito pra chegar no caminho trilhado pela experiência.

No primeiro round, Weidman enfiou um direto que deixou Anderson atordoado e foi caindo e puxando o adversário. Spider apanhou feio no chão.

No segundo, Anderson precisava reagir. Mesmo numa luta de 5 rounds, perder o primeiro prejudica a estratégia.

Fez o que mais sabe fazer: começou a esquivar e dar chutes.

O poderoso chute que deixou Belfort atordoado até hoje.

Vamos lá, Anderson, chuta, chuta!

Num chute, ele despencou, gritando e segurando a canela.

Quebrou a canela. A tíbia. Inacreditável.

No replay, comoção no ginásio.

Perdi o sono.

Eu e metade dos brasileiros.

Foi macumba braba. Com certeza.

Pode aonde você andou, meu rei Xangô?!

O inacreditável foi fato, numa noite para ser esquecida.

Então se descobre que não foi macumba coisa nenhuma.

O cara treinou o golpe, para aniquilar os chutes de Anderson;o forte do brasileiro.

A razão venceu.

É, americano não está pra brincadeira.