amor de bêbado

amor de bêbado

Marcelo Rubens Paiva

24 de outubro de 2013 | 12h37

 

Este é mais um caso verídico e aconteceu com um amigo jornalista.

Noite de verão.

RR, que já estava bem alto de cerveja, bebia agora vodca com os colegas de trabalho, eu inclusive, num botequim da Vila Madalena.

O de sempre.

Chegou um amigo do amigo com duas jovens curiosas: “Elas querem conhecer o Love Story. Quem se atreve?”.

Todos toparam festivamente. Eu inclusive. Verão!

Love Story fica melhor se for um programa não planejado. O que vale é ir em turma. Ainda mais com amigas de amigos que nunca foram.

Pagamos a conta e zarpamos para o Centro.

LS ainda vazio.

Ocupamos a primeira mesa.

As meninas no sofá, os marujos em volta.

Logo, um balde com garrafas de cerveja ficou no centro de gravidade. E ninguém se afastava dele.

Elas, ligeiramente assustadas.

Procurávamos mostrar as normas da casa de todas as casas, transmitir segurança, indicar os canos a serem abraçados e explorados. As meninas travaram. Surpreendentemente, decidiram ir embora.

Elas. Só elas. Porque, irritados, ficamos. Uma rebelião. Despediram-se com aquele ar melancólico.

Claro que imediatamente as garotas de programa passaram a girar em trono daquele grupo de agora apenas marmanjos e já bem alterados pela bebida, música e visão de moças de fino trato girando.

Surgiu como que do nada uma garota alta, loira, serelepe, de minissaia, tranças no cabelo, que dançava sem parar.

Naquele universo, era a mais gata, a mais animada.

E, pelo visto, a fim de trabalhar, pois jogou tranças e rebolados.

RR tomou a iniciativa e se inclinou até seu ouvido. Quanto e o quê?

Era uma garota de R$ 400, chegava a R$ 300 com insistência, mas ali já se falava em R$ 200 devido ao horário, e ela topou R$ 150, porque RR estava pra lá de bêbado, o mais de todos, e daria pouco trabalho.

Foram para um hotel que ela indicou.

Ele deitou na cama, viu tudo girar e pediu apenas para ela fazer um strip.

Não se lembra do resto.

Se lembra de falar em seu ouvido: “Eu te amo. Você me ama? Você se casa comigo? Foge comigo…”

E se lembra das respostas: “Sim. Também te amo. Caso-me com você. Fujo com você…”

Ele não sabe como, mas acordou no seu carro.

Ao checar seus pertences, percebeu a ausência da carteira de habilitação.

Uma reminiscência rápida: ele a deixou no lobby do hotel. Norma da casa. Mas de qual hotel?

Desceu do carro.

Olhou ao redor.

Havia dezenas por ali.

RR foi de um em um. Em todos eles, mostraram-lhe pilhas de carteiras de habilitação. De outros bebuns.

RR não encontrou a sua.

E foi à noite de táxi pra Vila Madalena.

Beber não para se esquecer.

Beber sem saber se amou.

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