amnésia

amnésia

Marcelo Rubens Paiva

04 de novembro de 2011 | 12h13

 

Ultimamente, descobri que 1 porre de J&D me dá amnésia alcoólica.

Só no dia seguinte, leio no FACE o que aprontei na noite anterior.

Os amigos comentam meus foras, as barbaridades que falei.

Dizem que fico engraçado.

Meu superego vai passear no espaço.

Adoram me ver bêbado.

Sempre aparece alguém com uma garrafa mocozada.

Sempre enchem meu copo, sacanas.

E uma vez que começo não consigo parar.

Claro que acordo sem saber como cheguei em casa, quem tirou meus sapatos.

E às vezes me surpreendo ao saber que voltei dirigindo. E até dei caronas.

Uma blitz devia ter me parado e me colocado em cana.

Como Jack Nicholson [EASY RIDDER].

Ehack! Ehack! Ehack! Indians…

No dia seguinte, gasto 1 tempo respondendo torpedos e emails, me desculpando pelos absurdos que falei. E frequentemente sou parado para dar explicações – DRs entre amigos.

Tentei mudar para 4 ROSES e JIM BEAM.

The same shit! O efeito é o mesmo.

É o bourbon que devo evitar.

Seu milho destilado deve abrir as portas do inconsciente [ou da percepção] ou do ridículo.

Já escrevi um romance inteiro, UA:BRARI, entorpecido por uma droga ilícita.

Uma traficante era minha vizinha de CERQUEIRA CÉSAR, ela não tinha telefone. Quando precisava, usava o meu e deixava uma presença.

Eu tinha 29 anos, anos 80. Perdoa-se tudo o que vivemos nos anos 80. Em que até em abertura de novela tinha mulher pelada.

Quem não viveu não entende. Nos anos 80, as agulhas namoravam as veias com uma incrível intimidade. Pobre geração doente. Muitos se foram. Precocemente. Inclusive as ilusões e a utopia.

Imagino escrever um romance sob o porre de 1 bourbon, sem a autocensura que trava o corrimento literário que deveria fluir livre e insano.

E entendo porque os americanos são tão malucos.

E tem tantos escritores alcoólatras.

Mas não. Tô velho para tais experiências. Tentarei continuar a minha natação 3 vezes por semana. Quem sabe o OXIGÊNIO me inspira.

Ah, antes que me esqueça, SE BEBER NÃO DIRIJA.

Eu parei.

Agora, frequento apenas bares perto do metrô, que abre às 4h, ou na vizinhança.

E tento, sim, BEBER COM MODERAÇÃO.

Bem, agora me faltou sinceridade.

Mas surgiu uma promessa.

 

+++

 

Neste FDS tem. No RIO DE JANEIRO:

 

 

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