Alerta vermelho no conservadorismo

Alerta vermelho no conservadorismo

Marcelo Rubens Paiva

04 de julho de 2019 | 13h05

Nem tudo são flores no novo jardim do conservadorismo mundial.

Começou com a vitória da oposição turca na eleição de Ancara e Istambul [acima], depois de anos sob controle de Erdogan.

Depois, vieram a eleição do socialista italiano David Sassoli, como presidente do Parlamento Europeu, e o protesto internacional contra a prisão da capitã de 31 anos do Sea Watch 3, Carola Rackete, ao atracar à força com náufragos africanos em Lampedusa.

Foram derrotas amargas no avanço da direita mundial.

Revelam um enfraquecimento do radicalismo da direita?

Sassoli foi eleito para ocupar o cargo mais importante da CE por nos próximos dois anos e meio, em que a direita governa ou está na base do governo no Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Espanha, Hungria e Turquia.

Em seu discurso da vitória, ele atacou: “Isso não é um acidente de percurso. Somos o antídoto escolhido contra a degradação ultranacionalista que envenena nossa história”.

Também, para que misturar ideias econômicas com ódio a imigrantes, desrespeito ao meio-ambiente, ataques a LGBTs e política de igualdade de gêneros?

Sem contar a absurda mania de contestar a ciência e o aquecimento global ou defender o terraplanismo.

“A nova direita não é uma evolução do conservadorismo, mas um repúdio a ele. Os usurpadores são ofensivos e descontentes. Eles são pessimistas e reacionários”, afirma a revista The Economist, porta-voz do liberalismo.

Ela lista as diferenças e desavenças.

1) O liberalismo acredita que a ordem social vem espontaneamente das liberdades pessoais, enquanto a nova direita acredita que a ordem deve vir primeiro, de cima pra baixo.

2) O conservadorismo é pragmático, mas a nova direita é ideológica e arrogante com a verdade.

3) Os conservadores são cautelosos quanto à mudança, mas a direita contempla a revolução.

4) Os conservadores acreditam no caráter, porque a política é sobre o julgamento e a razão. Eles suspeitam de cultos a personalidade, como Trump e Bolsonaro.

5) Os conservadores respeitam os negócios e são prudentes na economia, porque a prosperidade sustentaria todos. A nova direita declara guerras comerciais ideológicas.

E finaliza: “No seu melhor, conservadorismo pode ser uma influência constante. Ele é razoável e sábio; valoriza competência; sem afobação. Esses dias acabaram. A direita de hoje está sob fogo e é perigosa.”

A direita pode intoxicar o jardim do conservadorismo, alerta. Literalmente.