Ah, era uma provocação

Ah, era uma provocação

Marcelo Rubens Paiva

01 de dezembro de 2015 | 16h11

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Ah, era uma provocação.

Pegadinha social do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Curitiba.

Uma jogada de marketing provocou debates intensos ontem.

Um jogada de gosto discutível, já que alimenta um clima já tenso de preconceito e intolerância que habita as redes sociais.

Muitos desconfiavam.

Hoje veio a prova. Eis o comunicado oficial:

 

Muita gente se revoltou e repercutiu negativamente a bandeira levantada pelo Movimento pela Reforma de Direitos: o fim dos privilégios para pessoas com deficiência.

E, mesmo assim, por que tantos ainda desrespeitam?

 Essa é a discussão que nós, do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, queríamos levantar. E conseguimos.

É fundamental que a sociedade fale abertamente sobre isso: somos 24% da população, mais de 45 milhões de brasileiros com deficiência; só em Curitiba, somos mais de 300 mil pessoas com algum tipo de deficiência. SOMOS MUITOS! Somos pessoas com deficiência auditiva, visual, intelectual, deficiências múltiplas, surdez, transtorno do espectro autista e deficiências físicas. É preciso reconhecer e respeitar a nossa diversidade.

 Temos alguns direitos diferentes porque temos necessidades diferentes. Eles foram conquistados para igualar as oportunidades e reduzir as desvantagens. Por exemplo:

 TEMOS DIREITO A VAGA EXCLUSIVA DE ESTACIONAMENTO porque temos dificuldade de locomoção, e também para evitar riscos de acidentes que possamos causar ou sofrer.

 TEMOS DIREITO A LEI DE COTAS PARA O TRABALHO, pois sem elas dificilmente seríamos contratados. Apesar das nossas competências e currículo, a sociedade ainda nos considera incapazes.

 TEMOS DIREITO A ISENÇÕES E DESCONTOS porque temos despesas extras que elevam muito o nosso custo de vida. Além disso, temos menos oportunidades de trabalho e de educação.

 TEMOS DIREITO A FILAS E ASSENTOS PREFERENCIAIS porque é uma questão de respeito, segurança e conforto para quem enfrenta mais dificuldades todos os dias.

 TEMOS DIREITO A COTAS EM CONCURSOS PÚBLICOS porque, além dos desafios que enfrentamos para conseguir empregos, temos dificuldades também para estudar e disputar as vagas em condições iguais.

 ISSO TUDO NÃO É PRIVILÉGIO. É DIREITO.

 E serve para garantir a igualdade de oportunidades entre a pessoa COM e SEM deficiência.

 Apesar disso, a maior barreira ainda é o desrespeito. Os nossos direitos são frequentemente ignorados, seja por falta de conhecimento ou de educação. Lembrando: discriminar pessoas com deficiência é crime previsto por lei.

 Por tudo isso, não podemos ficar apenas na revolta. Vamos exigir respeito e, mais do que isso, vamos defender esses direitos.

 Alie-se a esta causa, curta a página Curitiba Mais Inclusiva: www.facebook.com/sedpcd/?fref=ts

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