Abstenção não é fenômeno apenas brasileiro

Abstenção não é fenômeno apenas brasileiro

Marcelo Rubens Paiva

30 de agosto de 2018 | 19h33

 

“Tudo farinha do mesmo saco”. “Todo político é ladrão”. “Os partidos são bancos de negócios”.

Votar em quem?

Nessas horas, um grande eleitor, o cético (o de votos brancos, nulos e abstenção), chega num índice que questiona os eleitos e a própria democracia (29% no primeiro turno de 2014).

Mais ainda no país em que o voto é obrigatório; apesar da multa irrisória de R$ 3,51 por turno.

Pouco mais de 30 milhões de eleitores se abstiveram de votar nas eleições de 2014 (21,10% no segundo turno).

Desprestígio de partidos, políticos, imprensa e até das pesquisas inflam o sintoma do desprestígio da política.

Dados do IDEA (International Institute for Democracy and Electoral Assistance) revelam que o fenômeno é global.

As democracias estão em crise: a média dos países de abstenção é um pouco acima dos 30% e tem aumentado desde meados dos anos 80.

Nas democracias europeias estáveis, esse número [de comparecimento] é hoje pouco superior a 70%. Nos países de voto obrigatório, a média é inferior a 75%. Aqui, os números oscilam em torno de 80%, nunca sendo inferiores a 78,5%.

E nulos e brancos?

Cláudio Couto e Guilhermo Russo (da FGV) atentam que, no Brasil,  talvez por conta da urna eletrônica e da assimilação do número dos partidos, que facilita a votação, o grau de votos nulos e brancos não é tão ruim.

Nas eleições de 1994 e 1998, eles estavam em torno de 20%.

Com a adoção do voto eletrônico em 2002, a queda dos votos inválidos despencou pela metade.

Do cenário atual, o que se espera? Ninguém consegue prever.

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