Sátira política está em alta

Sátira política está em alta

Marcelo Rubens Paiva

24 de abril de 2019 | 11h58

A (não)política, distopia, histeria eleitoral, crise da democracia, que leva figuras estranhas à… política, torna-se commodity abundante da sátira.

Em tempos de “terraplanismo”, nazismo de esquerda, gurus como Steve Bannon e Olavo de Carvalho, Brexit, Trump, Tiririca, Bolsonaro, do palhaço Beppe Grillo (5 Estrelas) e agora do humorista Volodymyr Zelenskiy, eleito presidente na Ucrânia, uma espécie de Dilma Bolada local, temos a lamentar e nos preocupar.

Porém, é difícil segurar o riso das incontáveis gafes que proporcionam.

David Letterman, que não poupou George W. Bush nem no 11 de Setembro, reclamava que era impossível fazer piada sobre um cara quase perfeito e gente fina como Obama. Foi lançado o desafio de quem seria o primeiro humorista a conseguir. Fracassaram.

Quem acompanha a série Veep (HBO) desde 2012, “fazendo História, queira ou não”, nunca deu tanta risada.

O novo jeito insano e surpreendente de se fazer política no mundo todo é um prato cheio para a corrida maluca à Casa Branca da nova (sétima) e anunciada última temporada.

Marqueteiros? Não sabem nada. Pesquisas eleitorais? Esquece. Slogans? Inventam-se na hora.

O eleitor reage apoiando as maluquices dos candidatos, como “matemática foi inventada pelos muçulmanos, portanto, existe um terrorista por trás de cada professor de matemática, e vou eliminá-las das escolas”, discurso feito de improviso por Jonah Ryan (Timothy Simons).

Selina Meyer (Julia Louis-Dreyfus, que recebeu o recorde de cinco nomeações ao Globo de Ouro pelo papel), ex-senadora, ex-vice, ex-presidente, perdida nas incongruências do novo eleitor, acaba inventando de improviso um slogan nada a ver com os dias de hoje: “Man Up!”

Seria algo como “vire homem!”, depois de ouvir num debate o “mimimi” da candidata favorita.

Começa a ganhar primárias entoando “Man Up!”, enquanto o concorrente azarão entoa “No Mathematics!”

Ao mesmo tempo, o governo chinês começa a influenciar a campanha, com ações obscuras, em busca do reconhecimento americano de ilhas em disputa no Mar da China Meridional (também reivindicadas por Brunei, Malásia, Filipinas, Taiwan e especialmente Vietnã): clara alusão ao papel da Rússia na eleição americana.

 

Tendências: