A renascença da televisão

A renascença da televisão

Marcelo Rubens Paiva

18 de setembro de 2017 | 12h36

 

A renascença da televisão?

Na cerimônia do EMMY 2017, exibida ontem, ela foi celebrada.

Na cerimônia transmitida.

Onde estavam melhor soap opera, cobertura jornalística, enlatados, esportes, programa de culinária, aquilo que empurra o trem chamado grade televisiva?

O que lembra a velha televisão, ficou para uma cerimônia à parte.

O que lembra o glamour de Hollywood e do cinema, foi apropriado. Grande paradoxo.

Nunca tanto conteúdo inédito foi lançado num ano apenas: 420 entre séries, filmes e programas.

Rolou até uma ironia com o meio que mais sofre com o boom da televisão, o mercado exibidor de cinema.

O apresentador da cerimônia, Stephen Colbert, que perdeu o prêmio de apresentador para John Oliver, que pode ser visto pela GNT, soltou, diante do auditório lotado:

“Quanta gente aqui hoje. Mais gente aqui do que nas salas de cinema deste verão.”

A multiplicidade de plataformas é a responsável pelo renascimento da indústria fonográfica e, agora, da televisão.

E pode ser a salvação de toda indústria bombardeada pela tecnologia da informação.

Vê-se TV em TVs, computadores, laptops, celulares, tablets, no busão, no metrô, na academia, no avião, na sala de espera, na praia…

Vítimas: cinemas tradicionais.

A excelência do conteúdo concorrendo ontem era também inédito.

A parceria com o cinema virou casamento de papel-passado.

Nicole Kidman e Roberto de Niro estavam na primeira fila, dividindo ombro a ombro espaço com Ophra (que apresentou o prêmio principal) e a recordista Julia Louis-Dreyfus, que venceu seis EMMYS consecutivos, a maravilhosa Elaine Benes e atual Vossa Excelência Selina Meyer.

A Casa Branca virou tema.

Não só em SNL e Veep, os grandes premiados (sem contar House of Card, que injustamente não levou nada).

Foi lembrado que Trump, o atual presidente, do meio, nunca ganhou um EMMY, e que talvez tudo teria sido diferente se tivesse ganho; cujo rancor contra a classe artística é evidente.

HBO (com 28 estatuetas) e Netflix (com 20) foram as grandes vencedoras.

A série Big Little Lies papou tudo, ator, atriz, roteiro. Justíssimo.

O novo canal de streaming Hulu, com dez, a surpresa.

As redes ABC (com 7) e NBC (com 15) e FOX (com 5) não foram mal.

Black Mirror, surpresa, ganhou dois prêmios. Agora que é co-produzida pela Netflix, está entre as grandes.

The Handmaid’s Tale, que no Brasil não vemos (é do streaming Hulu, não disponível para nós, e sem previsão para estrear por aqui) foi a grande vencedora em série dramática, superado Westwold, que não ganhou nada assim como Stranger Things, a queridinha do público.

Elisabeth Moss, a protagonista Peggy de Mad Men, foi indicada muitas vezes, mas ganhou só agora, protagonizando Hadsmaid’s Tail.

The Crown, a favorita, ganhou só como ator coadjuvante, o veterano John Lithgow, que no discurso dedicou ao seu personagem e a falta que ele nos faz, Churchill.

E a diversidade foi celebrada. Pela primeira vez, uma afrodescendente ganhou o prêmio de melhor roteirista, melhor ator foi para um negro, assim como direção, os trans foram homenageados, mulheres pediram melhores papeis. Como manda o bom-senso.

Tendências: