A reação dos sensatos

A reação dos sensatos

Marcelo Rubens Paiva

19 de fevereiro de 2019 | 09h29

“Alguns podem se desanimar considerando que a luta pela igualdade, liberdade e solidariedade é bonita, porém uma utopia. Mas a utopia é sempre um horizonte”, escreveu Margarida Genevois, presidente de honra da Comissão Arns.

Encontrei o ex-ministro José Gregori na missa de 7º dia de Fernão Bracher. Me perguntou se eu ia no lançamento da Comissão Arns.

“Precisamos dar uma resposta aos que passam um trator sobre conquistas sociais e os direitos humanos”, ele disse.

Claro que eu vou, Zé.

Amanhã, quarta-feira, às 11h, na Faculdade de Direito da USP – Largo São Francisco, haverá um reencontro no lançamento da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns.

Um nome que, ao soletrar, me emociono.

Responsável pelas denúncias de tortura e desaparecimentos políticos cometidos no Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, por ditaduras impiedosas, o cardeal de São Paulo fez da Igreja, que apoiara o Golpe de 1964, uma grande aliada da luta pela redemocratização e justiça social.

Presidida por Paulo Sérgio Pinheiro, a comissão conta com o apoio de ex-ministros, liderança indígena, gente do mundo acadêmico e jurídico, como André Singer, Antônio Mariz de Oliveira, Ailton Krenak, Claudia Costin, Fabio Konder Comparato, Zé Carlos Dias, José Gregori, Laura Greenhald, Bresser Pereira, Luiz Felipe Alencastro, Vladimir Safatle e outros.

Me perguntava depois da missa o que me pergunto desde 2013.

Onde erramos? Como fomos cair nessa cilada?

Estava ali, na Igreja do Sumaré, uma geração que pensou o Brasil, desenhou um projeto de Nação.

Sim, teve e tem uma elite brasileira que divide as atenções entre seus negócios e mudar o país.

Como José Mindlin, José Ermírio de Moraes, Walter Moreira Salles, que trafegaram inclusive entre governos de esquerda, intelectuais, artistas, que resistiram contra abuso de governos autoritários, lutaram pela democracia e justiça social.

Estava ali a família Bracher, de banqueiros, educadores, ativistas sociais. Financiam escolas, a FLIP (Fernão, que militou no movimento estudantil de esquerda, JUC e JEC, que deram na AP, não perdia uma).

Candi, meu colega de classe, é presidente do Itaú. A filha Bia tornou-se editora e uma das escritoras mais premiadas do país. Elisa tem um dos projetos educacionais mais inovadores já criados, o Instituto Acaia. Em que matriculei meus filhos.