A Noite na Folha

A Noite na Folha

Marcelo Rubens Paiva

13 de março de 2009 | 01h23

Nem sei se infrinjo os direitos autorais ao postar aqui o texto de Lucas Neves hoje no Acontece – Folha de S. Paulo. Bem, fala de mim. Estamos todos no mesmo barco, certo? Obrigado MAG, flamenguista, e Neves. Apareçam.

Rubens Paiva propõe metateatro em “A Noite Mais Fria do Ano”
Peça, que inicia temporada hoje, marca a estreia do escritor como diretor

LUCAS NEVES
DA REPORTAGEM LOCAL

Fingir traz a verdade. A máxima, que o dramaturgo fictício Dan (Hugo Possolo) deixa escapar no fim da peça “A Noite Mais Fria do Ano”, aponta a questão que moveu o autor de verdade, Marcelo Rubens Paiva: há nós que só é possível desatar recorrendo a personagens, histórias (aparentemente) alheias.
“Em uma peça dos anos 90, “Da Boca para Fora”, eu falava da separação que vivia. A partir daí, percebi que transformava em teatro todos os meus conflitos amorosos, de amizade ou profissionais. Então, bolei esta peça em que um grupo teatral se junta para escrever sobre algo que está vivendo. É na dramaturgia que eles vão se descobrir”, diz Paiva, 48. Em “Noite”, tudo gira em torno da fixação do dramaturgo Dan na ex-mulher, a atriz e estrela da companhia, Carol (Paula Cohen) -e nos motivos que a levaram a abandoná-lo.
Quando ela é agredida pelo companheiro atual e busca a ajuda do escritor, começa um jogo que apaga a linha entre realidade e representação. Será que Carol faz uma encenação para, no fundo, sondar se o antigo parceiro ainda a quer? Dan entrará no jogo para tentar arrancar da personagem/atriz as causas da separação?

Ficção antecipa realidade

Antes desse reencontro, se verá a encenação da primeira peça de Dan, em que os jornalistas Renato (Alex Gruli) e Caio (Mario Bortolotto) discutem sobre Carla, mulher do primeiro e amante do outro, em queda-de-braço aditivada por uma disputa profissional. Num lance irônico em que a ficção parece antecipar a realidade, é Carol, objeto da devoção de Dan, quem encarna Carla, a personagem dividida entre dois amores.
“Noite” marca a estreia “oficial” de Rubens Paiva como encenador. Isso porque, recentemente, ele dirigiu oito “drops” de 60 segundos para o Festival do Minuto, dos Parlapatões: “Ali peguei gosto pela coisa. Mas já antes, quando via outras pessoas dirigindo meus textos, ficava com inveja”, conta ele. “É engraçado como, quando começam os ensaios no palco, o autor sai de cena completamente. Você vê, no papel de diretor, como há palavras a mais, desnecessárias.”

A NOITE MAIS FRIA DO ANO
Quando: estreia hoje, às 21h; sex., sáb. e dom., às 21h; até 3/5
Onde: Sesc Paulista (av. Paulista, 119, tel. 3179-3700)
Quanto: R$ 20
Classificação: não indicado a menores de 14 anos

veja mais no blog cacilda, com fotos da grande lenise pinheiro:

http://cacilda.folha.blog.uol.com.br/arch2009-03-08_2009-03-14.html

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