A mulher mala do comercial de cerveja

A mulher mala do comercial de cerveja

Marcelo Rubens Paiva

03 de fevereiro de 2015 | 12h43

ZÉ EDUARDO SONHANDO

ZÉ EDUARDO SONHANDO

 

A mulher mala do marido otário.

Comerciais de cerveja não precisam tratar mulheres como um estorvo, um estraga-prazeres.

Tudo bem, comerciais de cerveja não são parâmetros para se entender os novos tempos, nem a revolução sexual.

A Budweiser, patrocinadora da NFL lá, e a Heineken, da Liga dos Campeões, fazem comerciais que não se apoiam no clichê “minha mulher mala não me deixa ser feliz e beber com meus amigos, xavecar no bar as gostosas ao redor.”

Mas no Brasil geralmente é este o script da maioria dos comerciais de cerveja.

Como a série VERÃO, da Itaipava, em que um sujeito numa praia recebe a massagem de uma gostosa, Vera, e a esposa vem atrapalhar.

Mas a campeã do mau gosto é a Conti Bier, pielsen do interior de SP, que passou a temporada da NFL transmitida no Brasil relatando o sonho do Zé Eduardo, cheio de gostosas ao redor, interrompido pela mulher mala e burra.

No ano passado, a Conti Bier tinha outra versão de outro Zé Eduardo com outra mulher mala e burra, que não percebe que na verdade ele não está num bar cercado de gostosas, mas num estúdio fazendo um comercial da “cerveja para quem gosta de cerveja”. E tinha a de um coitado que apareceu com um rapaz numa festa, e os amigos ficaram indignados.

É uma opção de marketing, e ninguém tem nada com isso.

Os fabricantes não perceberam que tem marido que gosta de levar a mulher pro bar.

Os fabricantes não perceberam que tem marido que vai beber não pra xavecar.

Os fabricantes não perceberam que mulher também gosta de cerveja, gosta de bar, de boemia e de ser bem tratada.

E se sabe que o marido tá num bar xavecando umas gostosas, parte pra outra.

Sai fora. Sai com outros e amigas, para tomar breja.

Ou Aperol.

 

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Enquanto isso, uma pesquisa do Wall Street Jornal elegeu o melhor comercial do último Super Bowl, que passou domingo.

Adivinha? É da Bud. E não tem mulher.