A missão

A missão

Marcelo Rubens Paiva

07 de abril de 2009 | 12h08

Ontem, na pré-estreia do filme FIEL, lá no Unibanco Arteplex, do Shopping Frei Faneca, dei umas 300 entrevistas. Inclusive para o meu amigo Danilo Gentili, do CQC, que considero um dos melhores stand-up comedies de São Paulo, e vi começar em bares modestos.
Nunca dei tanta entrevista na vida. Já na cabine para a imprensa, há uma semana, foram umas 200. E olha que sou rodado. Tenho certeza. Quando eu morrer, estará nos jornais: “Morre roteirista do filme sobre Corinthians”.

Estavam lá Wladimir e Zé Maria, dois jogadores extraordinários, do Corinthians e da seleção, que começaram e encerraram a carreira no Timão, laterais velozes, raçudos: a marca do time.
Estava emocionada a diretoria do time, dois jogadores do elenco atual, William, cinéfilo que não sai de cinemas alternativos, e André Santos. Nada de estrelas da Playboy ou de Caras. Nem gente de cinema, o que causou estranheza. São todos palmeirenses?

Uma pena, pois este filme é aguardado pela indústria, para medirmos o potencial de uma obra sobre um time: levará gente que nunca pisou numa sala de cinema? formará público?

Ontem, de repente, apareceram pulando e cantando alguns torcedores da Gaviões. Uniformizados, como se estivessem no estádio. Cruzaram os corredores. Entraram na sala principal, levantaram os jalecos, como bandeiras, durante os discursos, gritaram, aplaudiram. “Estranho seria se não viessem”, comentei com um amigo.
Começou o filme, no primeiro lance de gol, gritaram. Então, pouco a pouco, se acalmaram, entraram na história, foram envolvidos pela trama, pela narrativa dos entrevistados, pela tragédia da queda do time e pela emoção da volta à série A. Choraram, como toda a sala. E foram embora pensativos.

Que poder tem o cinema. Virei para o Serginho Groisman, co-roterista do filme, e para Andrea Pasquim, diretora que colocou o seu coração na tela, e disse: “Missão cumprida”.



Jogadores com a sobrinhada