A merda

A merda

Marcelo Rubens Paiva

11 de dezembro de 2009 | 13h21

Tira o povo da merda, e ela continua lá?

Mais fácil consertar o encanamento.

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Ontem, Marião, estavam todos tão felizes e aliviados, você merecia aquela festinha. Arrecadamos uma grana. A ideia foi do Brum e minha. O Trovão deu uma força. O Ademir também. Cuidaram da parte prática. Até aquela garrafa de Red escondida estava lá. Como sempre. Cobramos dez paus o ingresso. Você vai ficar puto, porque só admite cobrar cinco. Mas ninguém reclamou. Tinha fila na porta, cara. A rua lotada. Tinha tanta gente querendo tocar e cantar pra você. Até o Picanha estava lá. O Linguinha falou que ia beber até amanhecer. Ele tem falado isso desde sábado. Montenegro declamou. As Rachelzinhas estavam lá. Te compraram um presente. Me ligaram ontem no meio da tarde pra perguntar as suas medidas. E eu sei? Elas perguntaram se era 44 ou 46. Chutei 46. Pô, Marião, não entendo dessas coisas. Nunca reparei na sua cintura. Só faltava… E na minha terra calça é P, M, G e GG. Será que é 44? Heleninha Hutz foi embora cedo. Quer dizer, eram 3hs. Disse que ia no Biros jogar sinuca. Tinha um monte de gente desconhecida. Sua banda sem você é quase um desastre, mas valeu. Velhas Virgens tocaram. Fernanda cantou. Que ex-mulher você tem, hein, cara? Ela salvou a tua vida. Teve a lucidez necessária no momento de pânico. Te acalmou, não esperou o resgate, te enfiou no carro da polícia, um corsinha, mandou seguirem pra Santa Casa. Você sabe, cuzão, que se chegasse dez minutos depois, não estaria vivo. Você sabe que as primeiras notícias não eram nada boas. Mas você é um cara de sorte, não pegou nenhum órgão, já está aí, sentado, rindo, colaborando com os médicos. É isso, cara, hoje tem mais, vai ter um desenho coletivo ao vivo na praça, leilão e a sua peça BRUTAL à meia-noite. Se você soubesse como estamos rindo à toa… Agora é com você, aguente firme aí, tenha paciência, calma, sobreviva!

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