A maldição da Miss Universo

A maldição da Miss Universo

Marcelo Rubens Paiva

27 de novembro de 2017 | 17h28

 

A miss brasileira, a belíssima Monalysa Alcântara, ficou entre as dez.

Garota do Piauí era magnética, cativante, simpática e incrivelmente bela.

Junto com a americana, era das favoritas.

Não levou.

Vi gente acusando vestido de gala da brasileiríssima Glória Coelho, poderosamente vermelho, enquanto a maioria era branca e bege; tirando a jamaicana, com um amarelo mostarda inglesa de ferir os olhos.

Outros acharam que, por não dominar o inglês, não pôde engatar um papo mais elaborado com o apresentador americano.

“Acho que a brasileira foi derrotada pelo vestido e pelo desfile. Aquele vestido tapava tudo, ela parecia estar escondida no vestido e no cabelo. E soltar beijos no desfile de gala não dá! Ela é linda, mas…”, tuitou @PatSalRocha.

Ao responder a uma pergunta idiota do apresentador, se era verdade que já fora careca, respondeu com um oco discurso “o que vale é a beleza interior”.

Sua luta poderia ser mais pontual e explícita: fim do racismo, que é no fundo que que queria dizer.

Miss Brasil era exatamente como o Brasil, um país pobre, simpático, lindíssimo, carismático, sorridente e que exala alegria.

Num concurso de miss, só simpatia, carisma e, especialmente, a beleza, comovem.

Mas não é o bastante.

A torcida, minha inclusive, era enorme.

As redes sociais ficaram em polvorosas.

A apresentadora brasileira da TNT chegou a murmurar o cântico “Bra-sil! Bra-sil! Bra-sil!”.

Por que perdeu?

Seu queixo deveria estar mais erguido, sua postura mais confiante?

Se luta para melhorar a autoestima de crianças negras, faltou dizer “Black is beautiful!, “Power to the people!”?

Seu ar era inseguro, passivo?

Faltou postura?

Faltou posicionamento?

Não deveria ter mandado um beijinho para as câmeras?

O trauma de 1954, em que Marta Rocha ficou em segundo lugar no Miss Universo, por conta de duas polegadas no quadril, e o de agora, pareciam colocar o Brasil no estado de maldição.

Monalysa foi eliminada no filtro final.

Mas logo alguém lembrou: temos a verdadeira Miss Universo, Gisele Bündchen.

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