A luta continua

A luta continua

Marcelo Rubens Paiva

29 de maio de 2009 | 12h20

Ontem participei da gravação de um programa emocionante, o ALTAS HORAS, que irá ao ar na madrugada desse sábado para domingo, dia 31, na GLOBO.

Convidados: Eu, Hebert Vianna [com os Paralamas], Marcelo Yuka e Mara Gabrilli. Sim, quatro dos CADEIRANTES com mais visibilidade.

Cada um milita à sua maneira. Cada um tem sua história pra contar. Em comum, o fato de sermos quatro pessoas públicas que não escondem a deficiência, não pararam de trabalhar e batalham por um País melhor, democrático, tolerante e que inclua.

A idéia de nos juntar foi do próprio apresentador, Serginho Groisman, que me consultou: como tocar o programa. Começamos pelo o começo. Cada um contou como se acidentou e foi a recuperação.

Fui o primeiro deles a me acidentar, há exatos 30 anos. Durante muitos anos, representei o papel de líder da causa, me expus na mídia, travei debates, ganhei amigos e inimigos, cobrei da sociedade e de políticos.

Nesses 30 anos, me reuni com dois presidentes, FHC e LULA, com governadores, SERRA e COVAS, com prefeitos, MALUF, PITTA, MARTA, KASSAB, pessoas que admiro ou combati, bons e maus administradores, levei ideias, projetos e reivindicacões a secretários corruptos e honestos. Costumo fazer reclamações por emails, e sempre que dá uma visitinha aos palácios, com uma lista de reivindicações. Uso o que a fama me deu de melhor: a voz.

Algumas delas deram certo, com o o projeto ATENDE, vans que atendem a deficientes em São Paulo, ideia que tive inspirado no ano em que morei na Califórnia, e que o MALUF, sim, ele mesmo, adotou.

Aliás, paguei um bom mico nas visitas a MALUF, com outros cadeirantes, já que ele chamava a imprensa e fingia ser um grande amigo. Malandro, se apoiava na minha cadeira, íntimo. Eu, constrangido e atônito, não parava de rir. Tudo pela causa

Muito ainda tem que ser feito. No entanto, cada vez menos, me sinto um Quixote e ganho aliados.

*

Então, aproveito para mais uma reivindicação. Os espanhóis mudaram o conceito de carro para deficientes ao criarem o simpático veículo.


O sujeito dirige da própria cadeira de rodas. Alguns vêm com joynstick. Outros, com um volante tradicional. Não é para sair pela Estrada de Santos a 100 km/h, dirigindo este carro, que é estável, mas não tem muita potência.

Porém, é ideal para a locomoção e independência de um cadeirantes na cidade e no campo. Há até a opção de um assento de passageiros.

Nos EUA, país rigoroso na segurança do trânsito, ele já foi aprovado e entrou na categoria de triciclo, que tem regras semelhantes às motos.

Informações sobre como ele funciona no site: http://www.quovis.com/

No Brasil, ele é proibido, pois alguma autoridade de trânsito decidiu aleatoriamente que cadeirantes não podem dirigir carros sentados em cadeiras de rodas. Está na hora de mudar a regra tão anacrônica e discriminatória. Mais uma luta para nós 4 encararmos.

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