A grosseria de Trump e o trumpismo

A grosseria de Trump e o trumpismo

Marcelo Rubens Paiva

12 Janeiro 2017 | 15h34

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Problema é Trump e o trumpismo

Dois eventos envolvendo o presidente eleito americano serviram de couvert para o que está por vir.

A atriz mais premiada de Hollywood foi chamada de “superestimada”, depois criticar o fomento à xenofobia e a política do novo governo contra imigrantes.

Trump, que perdeu da Califórnia de lavada, não deixou barato.

Despejou seu ódio pelo Twitter, rede social por onde governa sem ainda governar.

Chegou-se a noticiar que a empresa o bloqueria, devido aos discursos preconceituosos e incitação ao racismo.

A notícia foi comemorada pelas redes sociais.

Parecia óbvia a intenção de excluir alguém que fere a carta de princípios de uma rede social.

Imaginei que era verdade que o Twitter excluiria Trump.

Mas era notícia falsa.

Dias depois, na enfim primeira coletiva como presidente eleito, depois de protelá-la por meses, entrou em conflito com um repórter da CNN, Jim Acosta [de origem cubana].

Acusou-o de veicular notícias falsas e mandou ele se calar.

Uma claque ao fundo aplaudiu entusiasticamente.

Imaginei que imediatamente os correspondentes se levantariam e se retirariam da sala, em defesa do colega latino e da Constituição americana.

A 5ª. Emenda estava sendo jogada no lixo.

A CNN publicara na véspera suspeitas de que o governo russo investigara Trump.

Baseadas num relatório amplamente divulgado. Tomou o cuidado de indicar o que era suspeita.

Fez jornalismo.

Trump, que tem relações íntimas com a FOX News, agiu como concorrente, não como presidente.

Por que os correspondentes da Casa Branca não protestaram até agora contra o tratamento dado a um colega?

Porque ali, como quase 50% dos eleitores americanos, concordam com seu estilo balístico, sem ética, sem educação: o trumpismo.