A grosseria de Silvio Santos

A grosseria de Silvio Santos

Marcelo Rubens Paiva

12 Novembro 2018 | 12h04

OK, está na onda agora a grosseria, e hibernarmos ganhos conquistados por movimentos de intolerância e contra o assédio. Mas o que o apresentador Silvio Santos fez com Claudia Leite ultrapassa os limites éticos.

La estava ela, sábado, dia 10, apresentando-se numa ação de filantropia e como parte da sua agenda profissional.

Ao entrar com um vestido vermelho, curto, e pedir um abraço, ouviu o que jamais imaginou do veterano apresentador: “Esse negócio de eu ficar dando abraço me excita, e eu não gosto de ficar excitado”.

Claudia Leitte tentou consertar: “No sentido feliz da palavra, né? De alegria, euforia, excitação”.

Silvio Santos: “Não é euforia, não, é excitação mesmo”.

Risos da plateia e entre assistentes.

Claudia: “Agora eu acho que meu marido tem uma razão pra ficar chateado”.

“Da maneira como você está se apresentando dá vontade de tomar uns chopes, umas cervejas e depois… Procurar um conforto.”

Claudia Leite ameaçou sair do programa: “Balancinho é minha música nova, mas estou quase pensando em… vazar.”

A cantora baiana se apresentava no Teleton, programa franquia para arrecadar dinheiro para a AACD, veiculado no Brasil pelo SBT. Demonstrou sua indignação ainda no palco: “Silvio, você falou que fica excitado?!”

“Agora você não é apenas uma loirinha bonita, agora é uma mulher provocante, sensual, agora é outra coisa…”, continuou o apresentador na sua metralhadora de grosserias, lembrando que ela estava lá para apresentar a música nova, e ele cedia a oportunidade de ela divulgar o seu trabalho.

Hoje, Claudia Leitte mostrou sua indignação pelas redes sociais e fez uma defesa antenada com os movimentos contra assédio, como #MeToo: “Aonde quer que eu vá, minha entrega é total. Tem que ser com todo amor do mundo, especialmente quando se trata de contribuir para o bem de alguém. Senti-me constrangida sim! Quando passamos por episódios desse tipo, vemos em exemplificação, o que acontece com muitas mulheres todos os dias, em muitos lugares. Isso é desenfreado, cruel, nos fere e nos dá medo.”

“A provocação vem disfarçada de piada, e as pessoas riem, porque acostumaram-se, parece-nos normal! E lá se vai a nossa vida, cheia de reflexões quanto ao que usar como artista, como empresária, como esposa, como amiga, como empregada, como patroa… como mulher”.

No dia seguinte, ontem, dia 11, o concorrente da Rede Globo, Faustão, deu o troco.

Foi irônico no seu programa, ao falar para uma repórter da plateia: “Aqui cada uma usa o vestido que quiser, não é? Deus é justo, mas essa roupa sua, olha, parabéns, tem que saber usar”.

Logo as redes sociais associaram o dito por Faustão com o por Silvio Santos um dia antes.

Está na onda colocações racistas, homofóbicas e de intolerância contra a comunidade LGBT. Ser contra o politicamente correto está na onda.

Só que não. Porque tem lei, e algumas atitudes de assédio, ódio e preconceito se tornaram crime.

Uma ala da classe masculina precisa aprender que mulheres não se vestem para içá-la, mas da maneira que se sentem confortável, desejam e gostam.