a ganância das companhias aéreas

a ganância das companhias aéreas

Marcelo Rubens Paiva

07 de agosto de 2012 | 17h26

 

A ANAC abriu ontem audiência sobre acessibilidade.

Instaurou audiência pública sobre proposta de revisão da resolução de 2007 que dispõe do acesso ao transporte aéreo de Passageiros com Necessidade de Assistência Especial.

Os interessados poderão enviar contribuições no site www.anac.gov.br até 5 de setembro de 2012, além de participar de audiências presenciais, cujos horários e locais serão oportunamente anunciados.

A agência quer transferir aos operadores aeroportuários – Infraero e as concessionárias dos aeroportos privados – a responsabilidade pelo transporte dos passageiros com necessidades especiais, pessoas com mais de 60 anos, gestantes, mães com crianças de colo e menor desacompanhado, as chamadas PRIORIDADES.

Quer também ampliar a rede de ambulifts- espécie de van-elevador que leva a prioridade para aviões não estacionados em fingers.

Só há ambulifts no Brasil em 4 aeroportos: Guarulhos, Congonhas, Brasília e no Galeão.

Acompanhantes indispensáveis ao deficiente podem ter 80% de desconto na passagem. O mesmo desconto se aplica ao excesso de bagagem da pessoa com necessidades especiais, quando a bagagem incluir equipamentos médicos ou ajuda técnica fundamental.

Porém, segundo a FOLHA, a ANAC quer o fim de reserva da 1ª fileira para grávidas e deficientes.

“Uma proposta da Agência Nacional de Aviação Civil quer acabar com a reserva das três primeiras fileiras dos aviões para gestantes, idosos e deficientes. A minuta da resolução, aberta para sugestões desde ontem no site da agência, libera as companhias para acomodarem esses passageiros em qualquer área, desde que em assentos no corredor e com braços móveis ou removíveis”, diz o jornal.

Primeiro, tem lógica colocar no fundo da aeronave exatamente quem precisa de auxílio para se locomover?

A desculpa: concentrar passageiros com necessidades especiais nas três primeiras fileiras, como se faz hoje, não seria a opção mais segura em caso de emergência, melhor espalhá-los pela aeronave perto de outras saídas.

Espera lá.

Numa emergência, na pressa, a tripulação saberá onde estão aqueles que precisam de auxílio? Concentrar na frente não é uma forma de identificá-los e ajudá-los?

Na verdade, a proposta esconde a vergonhosa prática das empresas, que se utilizam de regras de evacuação emergenciais, para cobrar mais pelos assentos mais espaçosos, o chamado ASSENTO CONFORTO.

Aquilo que existe para salvar vidas, espaço perto das portas de emergência, serve para dar lucro às empresas.

Pelo raciocínio, quem paga mais tem direito aos primeiros lugares na evacuação.

Raciocínio mórbido.

Seria como cobrar de passageiros o assento garantido em botes salva-vidas, caso haja pouso no mar. Os bilhetes mais baratos só dão direito a coletes.

Outra regra polêmica é a de estabelecer um máximo de 2 passageiros que não podem se mover sozinhos para cada avião.

Algo subjetivo que pode criar confusão e, em tempo de PARAOLIMPÍADAS, inviabilizar os jogos no Rio de Janeiro.

É melhor a ANAC pensar direitinho no que propõe e é proposto.

E saber identificar a ganância do mercado.

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