A cerveja constrangedora

A cerveja constrangedora

Marcelo Rubens Paiva

31 Março 2017 | 12h17

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Comercial de cerveja no Brasil sempre foi ofensivo à inteligência do brasileiro.

Na maioria das vezes foi voltada ao público masculino.

Os homens querem a boa, a gostosa, a Devassa, o Verão.

Sexualiza-se o hábito rotineiro de todos nós.

Uma marca se chama Devassa.

A outra, a pilsen Proibida, da Companhia Brasileira de Bebidas Premium (CBBP).

Que está sempre envolvida no limite da polêmica.

Parece proposital. Mas pode ser um tiro no pé.

Em seu comercial, Antonio Fagundes diz: “Puro Malte Forte, bebida para macho. E outra para você mulher…

E termina com o slogan: “Gostosas demais…”

Não pegou bem. No Jornal Nacional de ontem, seu anúncio apareceu editado. Saiu o “bebida para macho”.

 

 

Primeiro, a Proibida lançou uma cerveja “feita especialmente para mulheres, delicada e perfumada”, a Proibida Puro Malte Rosa Vermelha Mulher

Lançou a mais forte para “machos”.

Levou Fagundes ao protagonismo de um comercial constrangedor.

Para a cervejaria, é uma tentativa de segmentação do mercado.

Para todo o resto, é um atraso que mostra que a cervejaria precisa repensar o mundo de hoje.

As mulheres não são consumidoras. No geral, apenas figurantes numa praia, num pagode, no botequim, de caras que querem a boa, a gostosa, o Verão.

Mulher não bebe cerveja?

Mulher não compra cerveja?

Mulher é apenas a gostosa do comercial de cerveja?

Depois da Primavera Feminista, algumas marcas mudaram completamente o tom de seus comerciais.

A Skol valoriza a diversidade.

A Brahma trouxe enfim uma mulher protagonista, nem loira, nem de biquíni, uma mulher não apelativa, empoderada, sob a trilha do clássico de Rosana, O Amor e o Poder, mais conhecido como Como uma Deusa.