a cara do pai

a cara do pai

Marcelo Rubens Paiva

01 de junho de 2010 | 12h40

A vida inteira ouvi que sou parecido com o meu pai.

Ele, alemaozão loiro de olho azul.

Eu, neto de italianos por parte de mãe, sempre me achei um ragazzo autêntico.

Morreu quando eu tinha 11 anos, e herdei seus ternos, camisas, gravatas e sapatos.

Mas cresci mais do que ele. Meu pé, idem.

No entanto, por toda a minha vida, fui parado por algum amigo ou amiga dele, que se emocionava e me dizia, com lágrimas nos olhos: Você é a cara do seu pai.

Por circunstâncias, temos poucas fotos juntos.

Perseguidos pela ditadura não tiravam muitas fotos.

Razões óbvias.

Mas a família Guedes encontrou esta, que dá para tirar a dúvida.

Minha irmã Nalu, ele e eu, diante da casa em que morávamos no Rio.

A mesma que foi invadida por 5 policiais com metralhadoras meses depois em 1971.

E o levaram com a minha mãe e irmã Eliana, para o DOI/Codi.

Cara do pai?

 

nalu, rubens e eu

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.