6 anos!

6 anos!

Marcelo Rubens Paiva

10 de setembro de 2012 | 18h15

Era Marcelo Mirisola quem me infernizava a vida para voltar a frequentar a Praça Roosevelt, no auge da sua decadência, que lembrava o Cine Bijou da minha adolescência [que não pedia carteirinha], a morada do meu primeiro diretor de teatro, JOÃO ALBANO, na minha curta vida de ator amador, rodeada por flats disputados por travestis ricos e pobres, lindos e fodidos, sobreviventes da epidemia HIV que varreu para debaixo da terra parte dos meus amigos, inclusive ALBANO.

Mirisola tinha a aliança do Bortolotto, para me convencer de que havia mais naquela praça além de pátina, concreto, desilusão e uma transversal chamada Guimarães Rosa.

Ambos moravam por ali.

Se aproveitavam da cerveja barata dos bares espalhados, da massa italiana à moda antiga, pesadona, que caprichava no molho e que resistiu à inundação demente de sushis e restaurantes mediterrâneos.

Nunca me esqueço de ver uma BMW conversível branca manobrar, e descer dela dois travecos lindos, blasé, que nem deram boa-noite, segurando sacolas de compras e com expressões em italiano intercaladas.

E de saber que um teatro ali, SATYROS, exibia um espetáculo em que todos ficavam pelados, que o KILT, MY LOVE  e VAGÃO ainda eram muito bem frequentados, que PLINIO MARCOS não andava mais por ali com sua bolsa e seus livros, convidando para comer noque no GIGETTO.

SATYROS abriu o SATYROS 2, começou a SATYRIANAS.

Voltei a ser dos frequentadores assíduos da “nova” Praça Roosevelt, que com tempo ficou mais glamourosa. Ganhou o ESPAÇO PARLAPATÕES, que há 6 anos exibe peças de terça a domingo, organiza eventos e nos serve até o meio-dia sem estresse.

No Parlapas já encenei 3 peças, meus e últimos textos, já dormi nas suas mesas, já fui embora sem saber como, de carro, de busão, de metrô, de táxi, a pé, já ri e chorei, já me perdi, perdi o controle e conquistei amigos.

Já comecei e parei de fumar 3 vezes.

Lá é um dos poucos lugares em que sei que me entendem.

E, pior, me apoiam.

Me apoiam se eu me perder e me encontrar.

Nesta terça o espaço faz aniversário.

PARABÉNS.

E obrigado.

 

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