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Zélia Gattai (1917-2008)

Luiz Zanin Oricchio

18 de maio de 2008 | 10h06

Morreu ontem Zélia Gattai, cujo nome associamos desde sempre ao de Jorge Amado, seu marido famoso. Acho que ela não se sentiria ofendida com a ligação quase automática de um nome ao outro. Sem trocadilho, amava o marido, e o admirava, o que é raro em casamentos longos. Não que Zélia não tenha tido autonomia como escritora. Mas, de fato, escreveu por incentivo de Jorge e estreou tarde, com mais de 60 anos, com seu livro de memórias – e também seu maior sucesso – Anarquistas, Graças a Deus.

Lê-se com prazer esse relato sobre a família de imigrantes italianos, na qual as idéias de esquerda radical conviviam sem problemas com as da religião católica. Embora tenha também escrito romances e literatura infantil, o forte de Zélia foram as memórias que ela cultivou em Senhora Dona do Baile, A Casa do Rio Vermelho e vários outros títulos. Li alguns deles, mas acho que o melhor ainda é Anarquistas. Simples, sincero e envolvente – num daqueles raros casos em que a obra de estréia jamais é superada pela que vem depois.

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