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Youssef Chahine (1925-2008)

Luiz Zanin Oricchio

28 de julho de 2008 | 14h01

Ao chegar ao jornal soube que Youssef Chahine havia morrido. É um dos grandes nomes do cinema e o maior do seu país – o Egito. Eu o conheci cobrindo festivais, em especial o de Veneza, onde ele era habitué. Ano passado apresentou aquele que, acho, tenha sido seu último filme, Caos, até agora inédito no Brasil. Um melodrama descabelado, como escrevi na ocasião, mas que mostra toda a preocupação social do cinema de Chahine. Na história, um policial truculento se apaixona por uma professora, mas ela está interessada em um promotor honesto. Ele, por sua vez, tem uma queda por uma viciada em haxixe. E assim vai. Por trás dessa ciranda amorosa, muito movimento, profusão de cores – e um mergulho na corrupção do Cairo. Ainda assim, confesso que não gostei muito. Aliás, nem um pouco.

A crítica internacional dividiu-se, mesmo porque Chahine é um mestre e um dos piores preconceitos da crítica cinematográfica é este: se você admira um diretor, se ele é um mestre, ou um “auteur”, não pode errar. Com Chahine aconteceu a mesma coisa. Ele é tão idolatrado na França que ganhou até um número especial dos Cahiers du Cinéma. Não disse que ganhou uma matéria, ou uma capa, mas um número inteirinho da revista, só dele. É mole?

E, de fato, revisitando a obra de Chahine, descobrem-se várias obras-primas como A Terra, O Monge e Alexandria, Por quê? Apesar disso, seus últimos trabalhos não me convenceram. Acontece. Mas, gostos à parte, o mundo do cinema perde um mestre, diga-se o que se disser. É pena que nos obituários ele tenha sido mais lembrado como descobridor de Omar Shariff do que como cineasta. O nosso tempo é assim mesmo.

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