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Wood & Stock

Luiz Zanin Oricchio

16 de outubro de 2006 | 17h38

Wood & Stock – Sexo, Orégano e Rock’n’Roll é o filme que une dois espíritos anárquicos – o cartunista Angeli e o cineasta de animação Otto Guerra. O resultado é muito bom, para dizer o mínimo. Quem conhecia as tiras, pode a princípio ficar com medo da transposição dos personagens para a tela grande. Nem sempre dá certo, e os exemplos estão por aí, como algumas versões de Asterix que, nem de longe dão o mesmo resultado na mídia diferente.

No caso de Wood & Stock a versão funciona. Mesmo porque a história escrita para o cinema é original. Traz uma animação boa, com alguns personagens divertidos como o porquinho metaleiro. Mas, claro, a grande atração é a dupla de hippies envelhecidos, ainda dispostos a curtir um barato. E outros personagens famosos, entre os quais a Rê Bordosa, musa da ressaca. Ela, aliás, é ‘dublada’ por Rita Lee, que ganhou um polêmico prêmio de atriz coadjuvante no Festival do Recife por seu trabalho vocal.

O melhor do filme é sua realização. Mas certamente esta ganha em força a partir da idéia que mora em sua base. Os velhos hippies envelheceram e acham o mundo atual um tédio. Mesmo o filho de um deles é um adolescente certinho e organizado, o exato contrário do que foi a geração dos pais. O jeito então é ressuscitar a velha banda e botar para quebrar.

Com uma trilha sonora de primeira, Wood & Stock não é apenas programa para nostálgicos. Claro, existe isso, gente que não gosta do caminho do mundo (são mais numerosos do que se pensa) e deseja reviver, mesmo que na tela, a sensação de rebeldia dos outros tempos. Mas há também quem não se contente com a posição saudosista e sonhe com outra alternativa a este mundo burocrático e mecanizado, no qual a segurança (perdida) passou a ser o objetivo máximo da existência.

Wood & Stock evoca um tempo em que, para bem ou para mal, se vivia sem rede de segurança. Por isso é politicamente incorreto. E tão interessante.

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