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Wadjda, ou a opressão sobre as mulheres *

Luiz Zanin Oricchio

06 de maio de 2013 | 11h15

Filmes como Wadjda cercam-se de um interesse prévio, que vai além do campo cinematográfico. Primeiro filme realizado por uma diretora saudita, é, já pela simples existência, um pequeno ato de insurreição. A surpresa é que Wadjda se sustenta mesmo sem essas benéficas circunstâncias exteriores. É um trabalho simples, porém preciso, sobre a opressão das mulheres na sociedade islâmica. Não necessita de favor nenhum para ser julgado bom filme.

Wadjda é o nome da garota, vivida por Waad Mohammed), que, como qualquer adolescente, tem seus gostos e rebeldias. Mas o que pensa e o que deseja ser entram em confronto com as limitações de uma sociedade fechada. O interessante, aqui, é que não se trata da ótica preconceituosa ou etnocêntrica de alguma artista ocidental, mas da visão interna da diretora Haifaa Al Mansour. Ela sabe do que fala.

E, dessa forma, transmite verdade à história da menina que apenas deseja uma bicicleta e vê em sua mãe um protótipo da posição subalterna reservada às mulheres. Haifaa trabalha assim com duas gerações e seus problemas interligados. Não deixa de notar que a opressão ao gênero feminino é algo tão culturalmente enraizado que, numa sociedade machista, muitas vezes são as próprias mulheres as mantenedoras desse status quo desfavorável. Simples, o filme não passa por cima desta complexidade.

* Apesar da assinatura que saiu na edição impressa não ser a minha, estas mal traçadas são de autoria e responsabilidade deste que vos escreve

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