Você se lembra do Vigilante Rodoviário?
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Você se lembra do Vigilante Rodoviário?

Luiz Zanin Oricchio

25 de junho de 2016 | 10h34

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OURO PRETO – Bem, já estou na cidade histórica mineira para o 11ª Mostra de Cinema de Ouro Preto. Um festival diferente dos outros, pois inspira-se menos nas novidades que no caráter histórico do cinema. Conservação, imagens de arquivos. Na memória, em uma palavra. E, falando nela, fomos contemplados por uma deliciosa  madeleine da nossa infância – a série Vigilante Rodoviário, que passava na TV Tupi e também foi lançada em episódios nos cinemas.

Bem à maneira como se fazem as coisas aqui em Ouro Preto, houve a parte reflexiva, um seminário dedicado à série, ao qual compareceram Fernando Fernandes, filho de Ary Fernandes, já falecido, que a dirigia. E ninguém menos que Carlos Miranda, o inspetor Carlos, o próprio vigilante que, sempre na companhia do seu fiel cão Lobo, era o primeiro herói nacional em nossas infâncias já disputadas por enlatados e heróis de outros idiomas (devidamente dublados em português).

Carlos Miranda apareceu paramentado do seu personagem. Tirou selfies e contagiou a todos com sua simpatia e energia do alto dos seus 83 anos. Falou muito da série, no que foi complementado pelo pesquisador Antônio Leão, autor de valiosos dicionários sobre o cinema brasileiro. Emocionou-se ao lembrar do cão Lobo: “Como ele não houve nem haverá outro igual”. Lobo reforçou a moda da raça pastor alemão, embora, como lembrou Fernandes, rindo, fosse “meio RND (Raça não definida)”. De fato, vendo fotos de época, dá para notar que Lobo era mesmo predominantemente pastor, porém mestiço. Um bicho inteligente que, como se pôde ver, “roubava cenas” aos seus colegas humanos.

Logo em seguida ao debate, foram exibidos, no telão montado na Praça Tiradentes, três episódios do Vigilante: O Diamante Grão Mongol, A História do Lobo e Aventuras em Ouro Preto. Este último tendo como vilã a atriz da Vera Cruz Lola Brah no papel de uma colecionadora e ladra de obras de arte. No começo, ela furta uma tela de Portinari da Pampulha e, em seguida, um Aleijadinho em Ouro Preto. A polícia é mobilizada para capturá-la e ao seu sócio, e, para tanto, o Lobo e o vigilante Carlos são destacados para adentrar as fronteiras de Minas Gerais e prender a dupla.

Muito legal, aventuras de um Brasil mais ingênuo, em que a polícia era benigna e mesmo os bandidos pareciam pouco maléficos. Não devemos negligenciar esses primeiros produtos populares do nosso audiovisual. Foram eles que fertilizaram a nossa imaginação e a prepararam para outros voos mais adiante.

De minha parte, fiquei muito feliz em tirar uma foto ao lado do Vigilante.

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