Vittorio Storaro, o mestre da luz e da sombra
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Vittorio Storaro, o mestre da luz e da sombra

Célebre diretor de fotografia italiano esteve em São Paulo, deu Masterclass, serviu de guia para exposição que tem seu filho como curador, e lançou livro de reflexão sobre a arte e o cinema. A exposição estará aberta até amanhã, dia 4, na Oca do Parque Ibirapuera

Luiz Zanin Oricchio

03 de novembro de 2017 | 13h49

Em pleno atropelo da Mostra, fomos assistir à Masterclass de Vittorio Storaro, na Oca do Ibirapuera, onde está montada a exposição Storaro: Escrever com a Luz – Dupla Impressão entre Fotografia e Cinematografia.

Encontramos um mestre de fato disposto a transmitir seus conhecimentos para uma plateia atenta, de cerca de 100 pessoas – entre as quais o grande fotógrafo brasileiro Lauro Escorel.

Antes da aula, vimos um vídeo com trechos de alguns dos principais filmes iluminados por Storaro – La Luna, O Conformista, O Último Imperador, todos de Bernardo Bertolucci; Apocalypse Now, No Fundo do Coração, Tucker, de Francis Ford Coppola; Flamenco e Goya em Bordeaux, de Carlos Saura, etc.

Depois, a aula propriamente dita, um exercício de erudição, em linguagem simples. Um trecho, em particular me tocou. Storaro já era um profissional muito bem sucedido quando um dia, passeando com a esposa por Roma, entrou numa igreja. Viu um quadro e percebeu a extensão de sua ignorância. Era Vocazione di San Matteo, de Caravaggio. “Um raio de luz se projetava sobre a cena, dividindo luz e sombras em duas partes”, diz.

(Observação minha: como não lembrar do genial aparecimento de Marlon Brando em Apocalypse Now, parte do rosto na luz, parte na sombra?)

“Percebi, ao ver aquele quadro, que podia saber muito de técnica, mas não entendia nada de arte”, diz, modesto. E, como resultado, pôs-se a estudar. O que faz até hoje. Sua obra fotográfica no cinema é um diálogo permanente com a grande arte da pintura.

Outra dica do mestre – não ter pressa. Saber parar para decantar o conhecimento. Com a fama, os convites sucediam-se. Mas nem sempre ele os aceitava. Preferia tirar um tempo para si. Reciclar-se, como se diria hoje. Aprofundar-se em contato com a arte e todas as sugestões pictóricas que elas lhe sugerem para o cinema. Meditar antes de agir. Escrever, dedicar-se ao ócio criativo, sem o qual não se faz arte. Aliás, sem o qual não se faz nada que preste. 

Depois da aula, o luxo máximo para nós. Visitar a exposição tendo como guia o próprio Vittorio Storaro. Os painéis são montados, de modo geral, com reproduções de obras de arte ao lado de cenas de filmes. Os paralelismos tornam-se evidentes, como, por exemplo, a inspiração para cenas de Apocalypse Now tiradas de obras de Francis Bacon. Foi inesquecível.

Storaro ainda lançou seu livro Scrivere con la Luce, I Colori, gli Elementi. Um livraço de arte, pesando uns cinco quilos e valendo cada grama e centavo. Edição bilíngue, italiano, inglês. R$ 400.

A exposição segue até amanhã, na Oca. Não deixe de ir.  

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