As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Violência: até tu, Paulinho?

Luiz Zanin Oricchio

02 de janeiro de 2008 | 16h26

Deveria existir um código de ética mínimo entre bandidos que incluiria um item – não se assalta um Paulinho da Viola. Como não existe, até Paulinho, que é um príncipe, dançou. Ao contrário do que andou se dizendo, ele não vai deixar o Brasil, ou o Rio.

Aliás, o Rio começou muito mal 2008, com crimes contra notáveis, que dão muita mídia – além de Paulinho, o filho de Lídio Toledo, baleado e em estado grave, e a atriz Helena Ranaldi, que conseguiu se safar do roubo mas não do susto. Segurança é direito básico do cidadão, mas o Estado se mostra incapaz de garanti-lo. E daí? Daí que, sempre que acontecem essas coisas – e elas acontecem com freqüência demais – , voltam as mesmas aves de mau agouro para crocitar que “o país não presta, a saída é o aeroporto” e por aí. Tudo papo. Elas mesmas permanecem, em seus ninhos, reclamando, mas não arredam pé.

É aceitável a reação por parte de quem sofreu a violência na pele recentemente e portanto reage com a arma que tem, a da indignação, irrefletida ou não. Aos outros, cabe pensar racionalmente e ver o que pode ser feito para que o Estado (nos âmbitos municipal, estadual e federal) se mexa para garantir a paz do cidadão honesto. É obrigação do Estado, uma vez que ele detém o tal monopólio do uso da violência legítima, como já se disse por aí.

Eu mesmo já fui assaltado duas vezes e posso assegurar que a experiência é péssima. Desestabiliza. Uma vez aconteceu em São Paulo, a outra em Milão. Não mudei de cidade, nem deixei de ir à Itália.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.