Viajando pelo “Chefão” de Coppola
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Viajando pelo “Chefão” de Coppola

Luiz Zanin Oricchio

28 Julho 2015 | 12h34

capo

Depois de uma breve temporada na Espanha, retorno aos pouquinhos.

Fui lá, vocês talvez saibam, para a entrega dos Prêmios Platino, dos quais sou jurado, em Marbella, na Costa do Sol. Postei os resultados no Facebook. Deu Relatos Selvagens na Cabeça. Ganhou quase tudo. O Brasil, porém, não fez feio. Com poucas indicações (quatro), emplacou duas: melhor documentário para O Sal da Terra e melhor animação para O Menino e o Mundo.

Depois tirei uma semaninha para um périplo andaluz. Marbella, Sevilha, Córdoba, Granada e Málaga. Foi exaustivo, porém ótimo. Mesmo com as temperaturas que, várias vezes, superavam os 40º. Teve dias de 42º, sensação térmica próxima dos 50º. Não há quem aguente. Nos últimos dias, Rô e eu buscamos desesperados um cinema, com qualquer filme, apenas para desfrutar do ar refrigerado. Em Málaga, acabamos por encontrar refúgio na Casa de Picasso, interessante museu na cidade natal do pintor.

De volta, enfim. Ontem fui pegar um restinho da retrospectiva Coppola, no Cinesesc. Vi dois filmes, Do Fundo do Coração e O Poderoso Chefão 1.

O primeiro, acho, nunca havia revisto, desde o lançamento em 1982. Creio que o assisti na França. Foi um grande fracasso e, parece, levou Coppola e seu estúdio Zoetrope à ruína. É um belíssimo estudo em neon sobre o amor e a reconciliação, tudo criado em estúdio, à maneira de Fellini. Rever um filme desses, numa cópia em 35 mm, é um prazer inenarrável.

Na saída, conversei com Gilson Paker, diretor do Cinesesc, e falamos sobre o 35 mm, como era uma coisa viva, na qual as marcas da exibição se faziam perceptíveis. Até isso me comoveu no filme. O fato de estar levemente arranhado, prova das inúmeras vezes que foi exibido.

Arranhões são, para um filme, o que são as rugas para nós. Testemunhas da nossa história.

Depois emplaquei o Chefão 1, numa cópia digital restaurada e magnífica. Que filme! Quantas vezes o vi? Não sei. Talvez dezenas, desde a primeira vez que o assisti, fascinado, num velho cinema de São Paulo, o Cine Paissandu, no centro da cidade. Quem o assistia era um rapaz de 22 anos (eu!), espantado de que o cinema pudesse alçar voo tão alto como aquele.

O Chefão 1 parece um transatlântico no qual você embarca e começa uma viagem, sem pressa de chegar ao destino. Há vários portos intermediários, e todos magníficos, como a estada de Michael Corleone na Sicília, por exemplo. São episódios, filmes em si mesmos, dentro do filme.

Não se assiste ao Poderoso Chefão. Vive-se nele.