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Verborragia e concisão

Luiz Zanin Oricchio

09 Novembro 2006 | 13h48

Às vezes acordo achando o mundo barulhento e entulhado demais – de gente, de imagens, de sons, de textos. Faço mea culpa e concluo que eu, e meus colegas, contribuímos para a balbúrdia geral. Nesses momentos, leio Graciliano ou Drummond, mestres da concisão, dois autores que prezavam acima de tudo a escolha do termo justo. Nem uma palavra a mais –era o lema deles, tão difícil de seguir.

Por valorizar tanto a economia de recursos em matéria literária, Drummond amava essa historinha, que transcreve em seu O Observador no Escritório:

Um poeta japonês caprichou na feitura de um haicai, e o resultado foi este: “Sobre a neve a sombra das cerejeiras”. Mostrou-o ao mestre, que comentou: “Tem cerejeira demais”.

Bom, né?