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Ver estrelas

Luiz Zanin Oricchio

10 Novembro 2006 | 10h58

Fiquei intrigado (e deliciado) ao ler a crônica de Ignácio de Loyola Brandão no Caderno 2, chamada de “O homem que viveu entre estrelas”. Não, não se trata de um produtor de Hollywood, mas do professor Aristóteles Orsini, que lutou para implantar o Planetário Municipal de São Paulo, lá no Parque do Ibirapuera. Em certo ponto da crônica, Loyola diz que ter entrado no Planetário e assistido ao seu espetáculo havia sido uma das melhores coisas que fizera em sua vida.

Pois para mim foi assim também. Com um acréscimo. Seduzido pelo mundo estelar, matriculei-me, junto com um grupo de amigos, na Escola de Astrofísica, que funciona em anexo ao Planetário. E lá passei a fazer um curso que muito me ajudou pela vida afora. Porque, para chegar à Astrofísica propriamente dita, os professores tinham de nos dar um belo reforço de matemática, física e química, que funcionou como mão na roda alguns anos depois quando prestei o exame vestibular.

Mas o filé mignon mesmo era a Astrofísica, com suas distâncias e tempos imensos, e, sobretudo, aquilo que mais me siderou – a recessão das galáxias. A idéia do universo em expansão que, por paradoxo, fazia pequenas as nossas vidas e preocupações e, ao mesmo tempo, alargava o nosso espírito. Foi uma lição de vida, que tenho cultivado. Quando por algum equívoco começo a me levar muito a sério, lembro das galáxias, das dimensões medidas em parsecs e megaparsecs, dos buracos negros. Um pensamento em vertigem, que nos convida a voltar às nossas sandálias, por assim dizer.

Muitos anos depois, conversando com o cineasta Ruy Guerra, ele, que é amigo do peito de Gabriel García Márquez, me disse que a sua literatura preferida, a que mais o estimulava atualmente, era a literatura científica. Sim, porque a moderna ciência, o relativismo, depois a física quântica, essa que me foi apresentada lá atrás, na Escola de Astrofísica, tornou-se um ramo (maravilhoso) da literatura fantástica.

Tudo isso me foi apresentado pelo Planetário e pela Escola de Astrofísica. Que continuam lá, no mesmo lugar, oferecendo a quem quiser essa janela para o universo. E para nós mesmos. Aproveitem.

Obs: a título de informação, pesquisei no Google as referências do Planetário e da Escola. Não sei se estão atualizadas.

Planetário Municipal de São Paulo.
Fundado em 1959 – o mais antigo do Brasil – possui projetor ZKP1 com cúpula de 20 m.
Administra a Escola Municipal de Astrofísica, com cursos para o público. Pertence à Prefeitura Municipal de São Paulo.
Parque do Ibirapuera. São Paulo. SP. CEP 04098-000.
Tel.: (011) 575-5206/575-5511.